Faltam duas semanas para a votação de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, mas parece que faz duas semanas de seu afastamento definitivo. Na reta, ela desentendeu-se com seu partido, não se fala mais na carta que faria aos senadores e surgiram informações novas sobre sua relação com a Odebrecht que agravam ainda mais sua situação.

Apesar desse cenário favorável ao presidente interino Michel Temer, o fogo amigo que vem da trincheira parlamentar colabora para remar contra. A ponto de, na semana passada, um grupo de empresários ter se encontrado com presidente para avaliar a intensidade de sua real disposição para ir em frente com o ajuste fiscal.

O ruído foi provocado pela queda de braço vencida pelos governadores no acordo da dívida dos Estados com a União, quando Planalto foi obrigado a ceder na principal contrapartida destinada a evitar novos problemas de gastança. Apesar da crise provocada pela negativa dos governadores, a credibilidade da equipe econômica liderada por Henrique Meirelles se impôs.

Mas ficou evidente que, mesmo depois de aprovado o impeachment, as dificuldades de Temer para aprovar as principais medidas econômicas – teto dos gastos e reforma da Previdência –, que exigem quórum elevado serão grandes. É necessário o apoio de 308 deputados e 49 senadores.

Na semana passada, o governo colheu o pior resultado numa votação desde que o presidente interino assumiu, há três nesses. A aprovação do texto base da negociação da dívida dos Estados foi conseguida com 282 votos, 26 a menos da exigência feita quando se trata de proposta de emenda constitucional (PEC).