A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu, por 3 votos a 2, o deputado federal Celso Russomanno (PRB-SP) da acusação de peculato (desvio de dinheiro público). Com isso, os ministros do STF derrubaram a decisão do Tribunal Regional Federal (TRF), que havia condenado o deputado.

Por ora, Russomanno poderá ser candidato à prefeitura de São Paulo (SP) nas eleições de outubro. Porém, como a Procuradoria Geral da República (PGR) ainda pode recorrer da decisão da Segunda Turma, o clima de incerteza quanto a viabilidade da candidatura de Russomanno permanece presente.

O resultado da votação na Segunda Turma foi apertado (3 votos a 2) e a PGR pode recorrer ao plenário do STF, o desfecho da votação de um novo recurso seria imprevisível. Mesmo assim, Russomanno leva uma pequena vantagem. De todo modo, a decisão do STF foi uma vitória para Celso Russomanno, que larga como líder isolado nas pesquisas de intenção de voto na disputa pela capital paulista.

Além da questão jurídica (possibilidade da PGR recorrer ao pleno do STF), fatores políticos trazem desafios para Russomanno, que irá para eleição com uma coligação bastante reduzida. Ele terá o apoio apenas do PTB, que indicou Marlene Campos Machado como sua vice. Como consequência, o candidato do PRB terá um tempo de TV bastante reduzido na comparação com seus potenciais adversários. Postado na centro-direita do tabuleiro, Celso Russomanno terá o empresário João Doria Júnior (PSDB) como seu adversário na disputa por uma vaga no segundo turno.

Embora Russomanno largue na frente, beneficiado pelo “recall” de eleições anteriores e por seu perfil “anti-política”, Doria tem a seu favor a ampla aliança que construiu (PSDB, DEM, PV, PMB, PHS, PP, PSB, PPS, PRP, PTdoB, PTC e PSL, que totaliza 12 partidos no total), além da capacidade de injetar recursos de pessoa física em sua campanha. Isso sem falar no apoio logístico da máquina do Palácio dos Bandeirantes, e no fato do tucano ser “novo” na eleição.

Além do maior potencial de crescimento de Doria, a aliança entre a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) e o vereador Andrea Matarazzo (PSD) poderá tirar votos de Russomanno na periferia da cidade, onde Marta tem um importante capital político, e também junto ao eleitorado anti-petista, segmento em que Matarazzo transita com força.

Embora Russomanno esteja liberado para concorrer, as incertezas jurídicas e a conjuntura política da disputa eleitoral em São Paulo trazem uma série de desafios ao candidato do PRB.