Pesquisa Ibope divulgada na última sexta-feira (29) mostra que o deputado federal Celso Russomanno (PRB) continua liderando a disputa pela prefeitura de São Paulo (SP). Porém, como Russomanno ainda depende da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para ter sua candidatura confirmada (ele é acusado de peculato, tendo sido condenado em primeira instância), o cenário é de indefinição.

Como a margem de erro da pesquisa é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, a senadora Marta Suplicy (PMDB), a ex-prefeita e deputada federal Luiza Erundina (PSOL), o prefeito Fernando Haddad (PT), o empresário João Doria Júnior (PSDB) e o vereador Andrea Matarazzo (PSD), que não é mais candidato (será o vice de Marta), mas foi incluído na sondagem, estão tecnicamente empatados na segunda colocação.

tabela 1

O índice do chamado “não voto” (branco, nulo e indecisos) é elevado (22%), o que sugere a existência de muitos votos para serem disputados.

No cenário atual, Russomano e Doria, candidaturas localizadas mais à centro-direita no tabuleiro, disputam uma vaga no segundo turno. Embora Russomanno largue na frente, a ampla aliança montada por Doria, o que lhe garantirá um elevado tempo de TV, indica que o candidato do PSDB tem um potencial maior de crescimento. No entanto, hoje, quem iria para o segundo turno seria Russomanno.

No campo da centro-esquerda, Marta, Erundina e Haddad disputam a outra vaga disponível no provável segundo turno. Como Haddad carrega o desgaste de ser o atual prefeito, além de possuir uma alta rejeição, e Erundina pertence a um partido com pouca estrutura, Marta leva vantagem nesse embate, principalmente depois de ter firmado a aliança com o PSD de Matarazzo. Posicionada no centro do tabuleiro, Marta tem potencial para atrair votos à esquerda e à direita.

Num eventual cenário sem a presença de Celso Russomanno (PRB), a disputa fica ainda mais embolada. Marta e Erundina aparecem empatadas na liderança. Porém, Haddad, Doria, Matarazzo (que não é mais candidato), Feliciano, que também não concorrerá, e Olim estão tecnicamente empatados na segunda colocação. O índice do chamado “não voto” (branco, nulo e indecisos) é alto (25%). Ou seja, quase 1/3 do eleitorado paulistano.

tabela 2

Assim como no cenário anterior, Marta, Erundina e Haddad disputam o voto de centro-esquerda por uma vaga no segundo turno. Como afirmamos anteriormente, Marta tem mais potencial para chegar no segundo turno. Sem Russomanno e Feliciano, e com Matarazzo aliado ao PMDB, o campo da centro-direita ficaria livre para Doria crescer.

Embora conte a máquina na mão, a eleição em São Paulo se desenha bastante complicada para Fernando Haddad. Pesa contra o atual prefeito o elevado desejo de mudança (segundo o Ibope, 71% dos paulistanos deseja algum tipo de mudança, fato que cria dificuldades para o candidato da continuidade). Além disso, Haddad é o mais rejeitado entre os candidatos (43% não votaria nele de jeito nenhum).

Outro problema é a avaliação negativa de sua administração. 55% dos paulistanos consideram a gestão “ruim/péssima”, enquanto apenas 12% tem uma avaliação positiva (“ótimo/bom”). Não bastasse isso, 73% dos entrevistados acredita que São Paulo está “no caminho errado”.

Nas simulações de segundo turno, o cenário também continua favorável a Celso Russomanno. Hoje, ele venceria qualquer adversário (ver tabela abaixo). Porém, a vantagem de Russomanno não pode ser considerada consolidada, já que o índice de “branco, nulo e indecisos” varia de 21% a 26%. Ou seja, ainda há muitos votos em disputa.

tabela 3

Segundo o Ibope, num eventual segundo turno, Marta venceria Doria (43% a 28%), Haddad (43% a 24%) e Erundina (39% a 31%).

Já Erundina, venceria Doria (42% a 27%) e Haddad (39% a 28%), mas perderia para Marta (39% a 31%) e Russomanno (54% a 25%).

Haddad empataria tecnicamente com Doria (34% a 32%, embora o petista esteja numericamente atrás do tucano), mas perderia para Erundina (39% a 28%), Marta (43% a 24%) e Russomanno (59% a 17%).

E Doria, mesmo que numericamente à frente de Haddad (34% a 32%), seria derrotado por Marta (43% a 28%), Erundina (42% a 27%) e Russomanno (57% a 17%).

Num eventual segundo turno, Haddad e Marta tem o desafio de reduzir seus elevados índices de rejeição. Haddad é rejeitado por 43% dos paulistanos. O índice negativo de Marta atinge 36%, seguido por Erundina (28%), Russomanno (17%) e Doria (13%).

Sobre os atributos de imagem de futuro prefeito, o Ibope revelou que a maioria dos paulistanos quer que o candidato seja novo na política (58%), mas também que já tenha se destacado como político (51%).