Quatro nomes oficializaram suas candidaturas à prefeito de São Paulo (SP) no último domingo (24). Atual ocupante do cargo, Fernando Haddad (PT), disputará a reeleição tendo o ex-secretário municipal de Educação Gabriel Chalita (PDT) como seu vice. O empresário João Doria Júnior (PSDB), o deputado federal Celso Russomanno (PRB) e a deputada federal e ex-prefeita da capital paulista, Luiza Erundina (PSOL), também confirmaram seus nomes na corrida eleitoral.

Quem vai com quem?

A convenção do PSDB que escolheu Doria mostrou um partido dividido. Os principais caciques tucanos (o ex-presidente FHC, os senadores Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira, o chanceler José Serra e o ex-governador Alberto Goldman) não compareceram ao evento.

Com objetivo de fazer uma sinalização aos chamados tucanos históricos, o deputado federal Bruno Covas (PSDB), neto do falecido ex-governador Mário Covas, foi escolhido como o candidato a vice-prefeito da chapa.

Celso Russomanno (PRB), que lidera as pesquisas de intenção de voto, ainda não anunciou seu parceiro de chapa. Já Luiza Erundina (PSOL), terá o deputado federal Ivan Valente (PSOL) como vice.

Na próxima semana, o PMDB oficializará a candidatura da senadora Marta Suplicy. Também pré-candidato, o vereador Andrea Matarazzo (PSD) ainda mantém seu nome no tabuleiro e anunciará seu destino em breve. Porém, há uma forte pressão vinda de Brasília para que Matarazzo seja o vice de Marta.

Russomanno, que conta com uma aliança composta apenas pelos chamados “partidos nanicos”, também sonha em atrair Matarazzo, motivo pelo qual ainda não anunciou seu parceiro de chapa.

Alianças determinam peso na disputa

Mesmo que largue em desvantagem nas pesquisas, João Doria Júnior possui potencial para crescer. Ajudado pela máquina do Palácio dos Bandeirantes e apoiado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), Doria construiu uma aliança que une 12 partidos (PSDB, PTC, PSB, PMB, PHS, PV, PPS, PP, DEM, PRP, PTdoB e PSL), o que garante ao tucano o maior tempo de TV.

O segundo maior palanque eletrônico será de Fernando Haddad. Além do PT, seu partido, Haddad é apoiado pelo PROS, PCdoB, PR e PDT.

Mesmo largando como favorito, o fato de Celso Russomanno ser apoiado apenas por PSC, PTN e PTN, além do PRB (seu partido), é um obstáculo importante, pois dará ao candidato um tempo de TV bastante reduzido.

A partir de agora, as atenções estão voltadas para o rumo a ser tomado por Andrea Matarazzo e o PSD. Mesmo tendo o desejo de concorrer, Matarazzo perdeu força depois de não ter firmado nenhuma aliança. Paralelamente a isso, cresce a pressão para que ele seja o candidato a vice-prefeito na chapa da senadora Marta Suplicy (PMDB).

Caso a aliança com o PSD seja confirmada, Marta ficará mais forte na disputa, pois o PSD se somará ao PMDB e PTB, garantindo um bom tempo de TV para a senadora.

Apesar de Russomanno ainda sonhar em atrair Matarazzo, é pouco provável que essa aliança se viabilize, pois no PSD o entendimento é que se não houver a candidatura própria, o partido deve entrar na coligação encabeçada pelo PMDB.

Se a aliança PMDB, PSD e PTB for confirmada, haverá uma mudança importante no tabuleiro. A possível composição entre Marta e Matarazzo fortalecerá a senadora do PMDB, aumentando sua chance de estar no segundo turno. Como consequência, cresce o risco do prefeito Fernando Haddad (PT) ser derrotado ainda no primeiro turno.

Além do desgaste do PT em SP, pesa contra Haddad a divisão do eleitorado de esquerda. Não bastasse a força de Marta nas periferias da cidade, Luiza Erundina, mesmo que seja apoiada apenas pelo PCB e tenha dificuldades para chegar ao segundo turno, também poderá tirar votos de Haddad.

PMDB x PSDB?

No campo da centro-direita, confirmando-se a saída de Andrea Matarazzo do páreo, Doria é quem tem mais chances de chegar ao segundo turno por ser a novidade da disputa, ter a maior aliança (e consequentemente o maior tempo de TV), além da maior capacidade de atrair recursos financeiros. Mesmo que o favoritismo inicial de Russomanno não deva ser desprezado, Doria tem mais potencial de crescimento.

O eventual segundo turno entre Marta Suplicy x João Doria Júnior colocará o PMDB como principal polo de oposição ao PSDB no maior colégio eleitoral do país. Aliás, vale recordar que isso já ocorreu na eleição pelo governo de SP em 2014, quando Paulo Skaf (PMDB) superou Alexandre Padilha (PT) e ficou em segundo lugar na disputa vencida por Geraldo Alckmin (PSDB).

Agora, na capital paulista, Marta poderá superar Haddad e aparecer como a adversária de Doria. Esse eventual embate terá consequências não apenas sobre o cenário político da capital, mas também no Estado e no país.