O Supremo Tribunal Federal decidiu afastar Eduardo Cunha da presidência da Câmara em 5 de maio, ou seja, há dois meses. Desde então, a Casa está sem comando. Formalmente, o primeiro vice-presidente, Waldir Maranhão (PP-MA), deveria estar à frente dos trabalhos, mas ele tem sido impedido pelos próprios parlamentares de conduzir as votações.

Em Brasília havia a expectativa de que Cunha renunciaria ao cargo de presidente da Câmara no último dia 22, quando ele chegou a convocar uma entrevista coletiva. Mas isso não aconteceu.

Segundo rumores, os motivos da desistência teriam sido dois: 1. Não havia consenso entre seus aliados sobre um nome que pudesse sucedê-lo; 2. Os partidos do Centrão (PP, PR, PSD, PTB, PROS, PSC, SD, PRB, PEN, PTN, PHS e PSL) não tinham certeza de que conseguiriam eleger o sucessor.

Lideranças na Câmara esperam que Cunha entregue o cargo esta semana, a fim de evitar a cassação. Ainda que renuncie, não há garantias de que escape da cassação. A avaliação na Câmara é de que “é tarde demais”. Um parlamentar ouvido pela Arko Advice disse que “nem o papa Francisco teria condições de se salvar nessas condições”.

Cunha, porém, poderia ganhar um tempo precioso. Restam apenas duas semanas de atividade parlamentar. Mesmo que o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) não seja aprovado, a tendência é que haja um recesso branco entre 19 e 31 de julho.

O que acontece se Cunha renunciar?

Com a renúncia de Cunha da presidência, seria aberta imediatamente uma negociação em torno da eleição do novo presidente, o que aconteceria na semana seguinte. E ele poderia contar com a ajuda de seus aliados para tentar adiar para agosto a votação do seu processo no plenário.

Mas, com votação aberta, forte pressão popular e fora da presidência da Câmara, a chance de Cunha de evitar o pior é mínima. Especialmente depois dos últimos acontecimentos.

Na última sexta-feira (01), a Procuradoria-Geral da República (PGR) ofereceu nova denúncia contra o deputado na Lava-Jato por suposto envolvimento em esquema de corrupção na Caixa. É a terceira ação contra ele.

Cassado, Cunha passa a ser um sério risco para muitos. Pois uma eventual delação premiada vinda de sua parte poderia causar grande estrago no mundo político e empresarial.