A prisão de quatro pessoas pela Polícia Federal liga o jatinho que caiu com o ex-governador de Pernambuco – e candidato à Presidência – Eduardo Campos e um grupo especializado em lavagem de dinheiro, que teria movimentado mais de R$ 600 milhões.

A PF acredita que boa parte do dinheiro serviu para pagamento de propina a políticos e financiamento de caixa dois para eleger Campos ao governo e visava conduzi-lo ao Planalto. Há uma lista de negócios que poderão ter contribuído para a suposta operação criminosa.

Um deles, segundo investigações dos procuradores da República, seria a construção da Arena Pernambuco, alvo da Operação Fair Play deflagrada pela Polícia Federal em agosto do ano passado.

Quando foi discutido o edital para a construção do estádio, Campos era governador e seus dois mais importantes secretários eram Geraldo Júlio e Paulo Câmara, hoje, respectivamente, prefeito de Recife e governador do Estado.

Rollemberg candidato à presidência em 2018?

O estádio foi construído pela Odebrecht, uma das construtoras mais implicadas na Lava-Jato. Há o risco de que os próximos passos das investigações atinjam Júlio e Paulo Câmara, abalando o quadro político-eleitoral de Pernambuco. O mais atingido seria o partido de ambos, o PSB, que teria suas bases dizimadas. Por tabela, Marina Silva, do Rede Solidariedade, seria fortemente afetada como companheira de projeto político de Eduardo Campos.

A reviravolta poderia beneficiar o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, outra forte liderança socialista que se mantém longe dos escândalos políticos revelados após a eleição de 2014. Rollemberg enfrenta desde a posse uma crise fiscal que o obrigou atrasar salários e pagamento de fornecedores, com perda de popularidade. Depois da morte de Campos, o governador tornou-se um dos nomes do PSB cotados para integrar a relação de presidenciáveis de 2018. Diante dos últimos acontecimentos, suas chances poderão aumentar ainda mais.