O deputado federal Celso Russomanno (PRB) lidera a pesquisa Ibope divulgada ontem, 21, para a pre feitura de São Paulo (SP). Russomanno tem uma vantagem de 16 pontos percentuais sobre a senadora Marta Suplicy (PMDB), que está em segundo lugar e tecnicamente empatada com a ex-prefeita e deputada federal Luiza Erundina (PSOL), e o atual prefeito de SP e provável candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT).

tabela 1

A soma dos percentuais de Marta (10%), Erundina (8%) e Haddad (7%) totaliza 25%, muito próximo do 1/3 da capital paulista que historicamente vota com a esquerda/centro-esquerda, o que mostra uma divisão desse campo político em três candidaturas.

No outro lado do espectro ideológico, o chamado voto conservador concentra-se hoje em Russomanno. Porém, o empresário João Doria Júnior (PSDB), o vereador Andrea Matarazzo (PSD), os deputados federais Marco Feliciano (PSC) e Major Olímpio (SD), além do deputado estadual Delegado Olim (PP), disputam esse mesmo eleitorado. Hoje, a soma dos percentuais de Doria, Matarazzo, Feliciano, Olímpio e Olim contabiliza 19%.

Dos candidatos mencionados, Doria e Matarazzo são aqueles com maior potencial para ameaçar Russomanno. Por disputarem a mesma fatia do eleitorado, Russomanno tende a se tornar alvo de ambos.

No cenário atual, Russomanno disputaria o segundo turno contra Marta, Haddad ou Erundina. Marta e Haddad são candidaturas mais fortes que Erundina por representarem os governos federal e municipal, respectivamente, o que é importante num cenário onde não haverá financiamento empresarial de campanha. Quem também poderá se beneficiar do apoio da máquina é João Doria, já que representará o governo Geraldo Alckmin (PSDB) na eleição.

Erundina, por sua vez, além da fraca estrutura do PSOL, terá um tempo de TV bastante escasso. Portanto, hoje, Marta ou Haddad tem mais chances de estar no segundo turno contra Russomanno.

Embora Fernando Haddad esteja no jogo, o atual prefeito tem o desafio de melhorar a avaliação de sua gestão. Segundo o Ibope, a administração Haddad é considerada “ruim/péssima” por 55%. Apenas 12% a classificam positivamente (“ótima/boa”), enquanto 33% dizem que é “regular”. É importante registrar que mesmo que chegue a um eventual segundo turno, Haddad terá dificuldades para se reeleger caso não consiga reduzir a avaliação negativa (“ruim/péssimo”) da atual administração.

Outro problema para Haddad é o sentimento de mudança existente em São Paulo. 71% dos paulistanos quer mudar (33% gostaria que o próximo prefeito “mudasse totalmente a administração do município”, enquanto 38% deseja que o novo prefeito “mantivesse só alguns programas, mas mudasse muita coisa”).

Apenas 25% deseja algum tipo de continuidade (14% gostaria que o futuro prefeito “fizesse poucas mudanças e desse continuidade para muita coisa”, enquanto 11% gostaria que “desse total continuidade a administração atual”).

Fernando Haddad também precisará reduzir seu alto índice de rejeição (46%). Quem também enfrenta esse problema é Marta Suplicy (42%), que possui o segundo maior percentual negativo. Depois deles aparecem Marco Feliciano (31%), Luiza Erundina (29%), Celso Russomanno (22%), Delegado Olim (11%), João Doria Júnior (10%), Maior Olímpio (10%), Ricardo Tripoli (9%), e Andrea Matarazzo (8%).

Como num eventual segundo turno o eleitor escolhe aquele candidato que menos antipatiza, Russomanno, Doria e Matarazzo, que são os nomes mais competitivo do campo conservador para chegar no segundo turno, levariam vantagem por conta da elevada rejeição de Haddad e Marta, que disputam a preferência do voto de centro-esquerda.

Russomanno: seu destino é incerto

Apesar de Celso Russomanno liderar a pesquisa, uma questão jurídica deixa o cenário ainda indefinido. A candidatura de Russomanno ainda depende de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), pois ele foi condenado em 2014 por peculato ao nomear a gerente de sua produtora de vídeo, Sandra de Jesus, na Câmara de 1997 a 2001. O juiz federal Vallisney Oliveira considerou que ela era paga pela Câmara enquanto atuava pela empresa de Russomanno.

Assim, Russomanno ficará impossibilitado de concorrer se, até 16 de agosto, prazo final para o registro de candidaturas, o STF rejeitar seu recurso e manter a decisão da Justiça do Distrito Federal. Nesse caso, ele seria enquadrado na Lei da Ficha Limpa, o que o que tornaria inelegível por oito anos.

O alto percentual do chamado “não voto” (branco, nulo e indecisos) também contribui para a indefinição do cenário. Nos cenários estimulados e espontâneo, esse percentual chega aos 26%.

Caso Celso Russomanno não possa concorrer, o eleitorado que hoje declara voto nele tende a migrar para João Doria Júnior e Andrea Matarazzo. Já se Russomanno obtiver uma vitória no STF, ficará mais próximo de um possível segundo turno contra Marta ou Haddad.