No dia 12 de maio, o então vice-presidente Michel Temer recebeu notificação do Senado sobre o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff. No dia 13 deu posse à sua equipe ministerial. De lá para cá, acumula alguns erros e acertos, mas o saldo é positivo.

Balanço do primeiro mês de Temer na Presidência

Entre os aspectos positivos está o fato de o presidente interino Michel Temer ter conseguido construir uma ampla maioria tanto na Câmara quanto no Senado para aprovar medidas de ajuste. Ele já coleciona algumas vitórias importantes, como a aprovação da meta fiscal para 2016, a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU) na Câmara e a indicação de Ilan Goldfajn para o Banco Central no Senado.

Também foi bem recebido o pacote de ajuste fiscal apresentado pela equipe econômica, onde se incluem a reforma da previdência e o limite para o gasto público.

Mas o clima de instabilidade política, em especial causado pela Operação Lava-Jato, tem gerado algumas dificuldades para o governo. Com poucos dias no cargo, Temer se viu obrigado a ter que retirar o senador Romero Jucá (PMBD-RR) do Ministério do Planejamento. Fabiano Silveira também teve que deixar o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle. Ambos foram flagrados em conversas telefônicas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com críticas à Lava-Jato.

Diante desses fatos, alguns senadores anunciaram que poderiam mudar seu posicionamento em relação ao impeachment da presidente Dilma.

O pedido de prisão de importantes membros do PMDB feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contribuiu para aumentar o clima de incertezas. Em particular, a respeito da capacidade de o governo conseguir aprovar o ajuste fiscal.

A indefinição quanto ao destino do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também provoca ruídos negativos para o Palácio, acusado pela imprensa e pelo PT de interferir no processo em defesa de Cunha. A escolha de André Moura (PSC) para o cargo de líder do governo foi percebida como manobra de Cunha.

O governo também foi bastante criticado por apoiar a aprovação de 14 projetos de lei sobre reajuste salarial para servidores públicos, apesar da grave situação das contas públicas no país. O impacto nos próximos anos foi calculado em aproximadamente R$ 58 bilhões. A reação travou as discussões no Senado.

De uma forma geral, entretanto, o saldo é positivo, o que pôde ser constatado na última pesquisa realizada pelo instituto CNT/Sensus. Na comparação com a gestão Dilma, a avaliação negativa (“ruim/péssimo”) da administração Temer caiu 31,9 pontos percentuais. Mas a opinião pública está em compasso de espera por resultados, tanto que cerca de 1/3 dos entrevistados declararam não saber avaliar a gestão Temer.

Até a aprovação definitiva do processo de impeachment, prevista para agosto, Temer deve continuar enfrentando dificuldades. Ainda que a chance de reversão do impeachment seja de 10%, a interinidade gera uma natural cautela nos agentes econômicos e no meio político.