Os Estados Unidos sofreram no último domingo, 12, o pior ataque com arma de fogo de sua história. O filho de afegãos nascido em Nova York, Omar Sadiqqui Mateen, invadiu a boate LGBT Pulse, em Orlando, na Flórida, e abriu fogo contra as pessoas que lá estavam.

O atirador matou 50 pessoas e deixou outras 53 feridas, e acabou morto numa troca de tiros com a polícia. Apesar de o Estado Islâmico ter assumido responsabilidade pela chacina, as autoridades norte-americanas não confirmaram a ligação de Sadiqqui com o grupo terrorista. Para o pai do atirador, o ataque tem nada a ver com religião, e que o filho teria ficado transtornado ao presenciar dois homens se beijando.

A boate Pulse é uma conhecida casa noturna de Orlando, frequentada pelo público LGBT, e que faz parte de uma rede na Flórida, que tem por objetivo despertar a consciência popular sobre a causa. Não há brasileiros confirmados entre as vítimas.

O ataque gerou comoção ao redor do mundo, e também entre os possíveis candidatos na corrida presidencial norte-americana, Donald Trump (Partido Republicano) e Hillary Clinton (Partido Democrata). O presidente Barack Obama considerou o caso como sendo uma manifestação de terror e ódio. Confira o pronunciamento de Obama:

Alguns pontos importantes e polêmicos foram levantados a partir desta tragédia. A pré-candidata democrata Hillary Clinton levantou a questão da posse de armas, sempre um ponto de discussões inflamadas na sociedade norte-americana. Uma parcela da população defende que o livre acesso a armas de fogo no país é a raíz de muitas tragédias e mortes. Os opositores dessa ideia afirmam que proibir o acesso não é o problema, e sim, evitar que as pessoas erradas tenham acesso a armas.

Já Donald Trump mais uma vez causou polêmica, com seu discurso de “eu avisei”. Veja os tweets do pré-candidato republicano:

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Trump, já conhecido por sua postura anti-imigrantes, falou, não pela primeira vez, em combater o islamismo radical, algo que enfrenta muitas críticas por seus opositores. Há que se considerar também o fato de que Orlando é uma cidade com uma quantidade expressiva de imigrantes latinos, e que muitas das vítimas da boate Pulse eram também latinos.

Em outras ocasiões, o pré-candidato já se manifestou contrariamente também ao grupo de imigrantes latinos, e falou inclusive em construir um muro na fronteira com o México.

Ainda é cedo para avaliar o impacto das palavras de Trump quanto a votos, mas isso não impede o discurso xenófobo do pré-candidato.

A tragédia certamente pautará discussões a respeito da intolerância de gênero. Os Estados Unidos são um país com uma parcela da população bastante conservadora, que é contra medidas como, por exemplo, o casamento gay. O próprio pai do atirador Sadiqque Mateen afirmou que “cabe a Deus punir os homossexuais”. O FBI está investigando as ligações do atirador com grupos extremistas.