Os gastos em lojas de luxo no exterior, da mulher de Eduardo Cunha, Cláudia Cruz, a tornaram ré na Operação Lava-Jato. Poucos dias após declarar que suas compras caras eram autorizadas pelo marido, e que ela não fazia ideia de onde vinha o dinheiro, Claudia vai precisar de explicações mais convincentes e menos evasivas para a Justiça.

O juiz federal Sérgio Moro aceitou nesta quinta-feira (9), a denúncia contra a mulher de Cunha, que responderá inquérito por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo Deltan Dallagnol, procurador-geral da República, Claudia converteu dinheiro público em sapatos, bolsas e roupas de grife.

Este é mais um acontecimento que complica ainda mais a situação de Eduardo Cunha perante a justiça. O deputado, cuja cassação será votada na próxima semana, enfrenta acusações de recebimento de propina e manutenção de contas no exterior.

Seus aliados se esmeram em manobras que abrandem a possível condenação, limitando-a a uma censura, ou no máximo suspensão. O presidente interino Michel Temer já se manifestou, afirmando que não irá interferir nos assuntos da Câmara para salvar o mandato de Cunha.

Apesar das tentativas de manobra, a defesa do deputado segue desmoronando. A versão apresentada por Cunha, de que era beneficiário de uma trust no exterior, foi classificada como questionável para o juiz Sérgio Moro, e para Deltan Dallagnol. O procurador-geral da República classificou como um instrumento criminoso sofisticado o uso de offshores no exterior, da maneira como argumentou a defesa de Cunha.

Quem cria um trust em benefício próprio é como se entregasse o dinheiro a um gerente de banco para depois recebê-lo de volta. Os criminosos mais antiquados usavam laranjas e testas de ferro (para ocultar os recursos desviados), criminosos modernos e mais sofisticados usam offshores e trusts. (Deltan Dallagnol, procurador-geral da República)

Enquanto o escândalo de House of Cunha – numa alusão ao seriado norte-americano que tem como tema central a política naquele país – só aumenta, resta saber se o deputado ainda conseguirá realizar manobras que livrem sua vida pública de denúncias e punição.

A trajetória de escândalos de Eduardo Cunha teve início no fim de 2015, com denúncias de que ele havia mentido em depoimento à CPI da Petrobrás sobre a existência de contas no exterior, que resultou na instauração de um processo na Câmara em Novembro de 2015. No início de Maio deste ano, Eduardo Cunha foi afastado de suas funções como presidente da Câmara, e na próxima terça, dia 14 de junho, ocorre a votação que poderá resultar na sua cassação.