Na semana que passou, a mídia levantou a hipótese de retorno de Dilma Rousseff à Presidência em função de mudança nos votos de alguns senadores no julgamento final.

Segundo reportagem sobre o assunto, em função das últimas revelações da operação Lava-Jato envolvendo correligionários do presidente interino Michel Temer, alguns senadores poderiam votar contra o impeachment e com isso não se alcançar o número mínimo de 54 votos para o afastamento definitivo de Dilma.

Na votação da aceitação da denúncia/afastamento de Dilma, quando o necessário para aprovar era 41 votos, o número alcançado (55) já seria o suficiente para aprovar o impeachment no julgamento final. Portanto, a mudança de poucos votos seria o bastante para o retorno da presidente afastada.

No entanto, é pouco provável uma reversão no quadro. Pelos levantamentos feitos, haveria oito senadores que se dizem indecisos. Destes, apenas um havia votado contra a denúncia na votação anterior. Entre os demais, a possibilidade de mudança é de apenas um.

Há de se considerar também que entre os quatro senadores que não votaram na primeira fase, a tendência de todos é pró-impeachment, à exceção do presidente Renan Calheiros, cujo voto será uma incógnita até a véspera da votação final.

Portanto, a tendência é de aprovação apertada. Nesse sentido, a votação em plenário da fase de pronúncia (instrução probatória, antecede o julgamento final) será um teste muito importante para atualizar o cenário. O resultado dessa votação dificilmente será alterado na deliberação decisiva.

Os senadores indecisos:

Cristovam Buarque (PPS-DF)

Parlamentar de grande capacidade de formulação, com eleitorado de opinião perfil intelectual. Apesar de ter sido favorável à aceitação da denúncia (afastamento), perdeu apoio e pode mudar o voto em função de pressão de setores mais críticos da mídia.

Romário (PSB-RJ)
O senador é pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro e está de olho na repercussão de seu voto. Apesar de insatisfeito por estar sem espaço no governo Temer e alegar ter sido preterido na disputa por cargos, deve manter o voto favorável nas fases seguintes.

Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)

Senador experiente e ponderado. Politicamente, sempre esteve próximo ao PT. Porém, com o quadro de insustentabilidade de Dilma aderiu ao afastamento. Tende a seguir a posição majoritária do PSB favorável ao impeachment embora não seja um defensor do governo Temer.

Roberto Rocha (PSB-MA)

Senador de primeiro mandato, com atuação discreta na Casa. Com carreira ascendente, sua meta o governo do Maranhão. Oriundo do PSDB, não é muito alinhado ao grupo dilmista, do governador Flávio Dino), em seu estado. Deve votar a favor do impeachment.

Acir Gurgacz (PDT-RO)

Embora tenha votado pela admissibilidade em função do cenário desfavorável a Dilma, tem relações pessoais com a petista. Porém, em função de agravamento da situação de correligionários de Temer e com ameaça de expulsão do PDT, já admitiu que pode mudar o voto.

Eduardo Braga (PMDB-AM)

Ex-líder do governo e ex-ministro de Dilma, é um parlamentar que almeja manter influência no cenário político. Não compareceu à votação inicial. Apesar da proximidade com Dilma, deverá votar pela cassação para fugir do isolamento no partido e no governo Temer.

Elmano Ferrer (PTB-PI)

Senador de primeiro mandato, muito ligado ao grupo político que governa o Piauí, cujo núcleo é pró-Dilma. Apesar de seu partido ter aderido a Michel Temer, ele votou contra o impeachment e deve manter a posição no julgamento final.

Eduardo Lopes (PRB-RJ)

Ex-ministro da Pesca de Dilma, assumiu o mandato recentemente na condição de suplente de Marcelo Crivella. Deve dizer sim ao impeachment, seguindo a orientação nacional do seu partido – que ganhou o Ministro do Desenvolvimento – e a posição de Crivella.