A decisão de Vieira da Cunha (PDT) de sair da Secretaria de Educação para ser candidato a prefeito de Porto Alegre (RS) nas eleições municipais aumenta a imprevisibilidade do cenário político.

Com Vieira, o vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB) e o deputado estadual Mauricio Dziedricki (PTB) na disputa, a base aliada do atual prefeito José Fortunati (PDT) se dividirá em três.

Há ainda no tabuleiro as pré-candidaturas dos deputados federais Onyx Lorenzoni (DEM) e Nelson Marchezan Júnior (PSDB), que também podem tirar votos dos candidatos da base.

Com as candidaturas próprias do PDT e PTB, Melo perde dois partidos com grandes estruturas em Porto Alegre.

Por outro lado, Sebastião Melo ganhou importantes aliados na semana passada. O bloco partidário composto por PHS, PPS, PSB e PSD entregou um documento ao vice-prefeito estabelecendo as bases para uma coligação com o PMDB.

Mesmo que esse apoio amplie o tempo de TV de Melo, nenhum desses partidos possui a força do PDT e PTB em termos de estrutura.

Vieira da Cunha está trabalhando na construção de sua aliança. O PCdoB tem grandes possibilidades de estar nela. Outro apoio que será buscado por Vieira é o PP, o que ampliaria seu tempo de TV.

O PP também está sendo cobiçado por Melo, Dziedricki, Onyx e Marchezan. Embora remota, existe ainda a possibilidade de o PP lançar candidatura própria (o deputado estadual Marcel Van Hattem, do PP)).

Vieira também deve procurar outros partidos da base de Fortunati como, por exemplo, PRB e PMN. Há ainda outras legendas que poderão ser buscadas pelo PDT visando a ampliação do palanque eletrônico (PROS e SD), além de siglas menores.

O PR, que colocou o vereador Rodrigo Maroni, como pré-candidato, também deve ser assediado por todos os postulantes à prefeitura, principalmente pelo seu tempo de TV.

Embora a prioridade do PTB seja lutar por uma aliança com o PP e ampliar seu tempo de TV, Mauricio Dziedricki também deverá procurar partidos da base de Fortunati.

A oposição lançará duas candidaturas em Porto Alegre. O PSOL apostará na ex-deputada federal e ex-candidata à presidência da República, Luciana Genro. O PT lançará o ex-prefeito Raul Pont.

Tanto PSOL como PT devem ter dificuldades em ampliar seu leque de alianças. O PSOL, por motivos ideológicos, deve restringir sua coligação a legendas ainda mais à esquerda como PCB e PSTU. O PT também tende a ter problemas. O PCdoB, aliado histórico dos petistas, hoje está mais inclinado a apoiar o PDT. PRB e PR podem ser procurados, assim como os pequenos partidos citados anteriormente.

Com a pulverização de candidaturas em Porto Alegre, haverá disputa tanto no lado da gestão Fortunati como da oposição para estar no segundo turno.

Sebastião Melo, Vieira da Cunha e Mauricio Dziedricki tendem a disputar uma das vagas no segundo turno. Porém, Onyx Lorenzoni e Nelson Marchezan Júnior devem investir sobre a mesma fatia do eleitorado de Melo, Vieira e Dziedricki de olho também no segundo turno.

Nessa complexa disputa, Sebastião Melo e Vieira da Cunha são hoje nomes mais competitivos que os demais e tem maiores possibilidades de lutarem por um lugar no segundo turno.

A esquerda vai dividida mais uma vez, assim como ocorreu em 2008 e 2012. Luciana Genro larga na frente de Raul Pont. Porém, Luciana tem alguns desafios pela frente: lutar contra o escasso tempo de TV e a menor estrutura de seu partido na comparação com o PT.

Ou seja, o PT, mesmo desgastado, pode sonhar com a ida para o segundo turno, embora comece a corrida eleitoral em desvantagem na comparação com o PSOL.

A candidatura de Vieira da Cunha embolou o jogo em Porto Alegre, criando problemas sobretudo para Sebastião Melo, visto até então como um candidato com grande potencial de estar no segundo turno.

Caso não ocorram surpresas, como, por exemplo, a ascensão de Onyx Lorenzoni ou Nelson Marchezan Júnior durante o debate eleitoral, a tendência é que Melo ou Vieira encontre Luciana Genro ou Raul Pont no segundo turno.