De volta à Câmara, o deputado federal Danilo Cabral (PSB-PE) conversou com o Política Brasileira. Segundo ele, o governo interino do presidente Michel Temer acertou ao conversar com o mercado financeiro, acendendo uma luz no escuro túnel deixado pela desastrosa política econômica do PT.

Como é retornar à Câmara no meio de uma crise econômica?

Em 2014, quando o governador Paulo Câmara me convidou para ser secretário de Planejamento, a avaliação era que o Congresso Nacional, até pelo conjunto de crises, iria ter pouca produtividade do ponto de vista Legislativo. Essa avaliação nos levou ao entendimento de que era mais importante, no meu caso, retornar a Pernambuco e ajudar o governo. Concluída a admissibilidade do impeachment da presidente Dilma, impôs-se uma nova agenda de iniciativas importantes, como o debate do ajuste da meta fiscal que destravou o Orçamento Geral da União. A partir de agora, o Congresso deve voltar a ter um debate legislativo mais produtivo.

O senhor acredita que o impeachment de Dilma é alvo irreversível?

Eu não tenho elementos para fazer um juízo de valor, mas a comissão está instaurada. Os pressupostos de admissibilidade foram entendidos como presentes. Nossa bancada (do PSB), inclusive, se posicionou pela admissibilidade desses pressupostos de forma majoritária na Câmara. Agora, cabe ao Senado fazer uma análise de forma isenta, para que tenhamos um resultado que respeite o próprio instrumento (do impeachment).

Quais foram os acertos do governo interino de Michel Temer?

O governo interino do presidente Michel Temer procurou e conseguiu falar para o mercado no sentido de procurar a devolver a confiança para que os investidores voltem a investir no Brasil. O ministro Henrique Meirelles (Fazenda) já conseguiu alguns movimentos que apontam para uma possibilidade de encontrar uma luz no fim do túnel. Além disso, o governo falou para o Congresso Nacional. A composição do seu governo tem uma forte presença parlamentar, em vários ministérios. Isso é importante para que a gente aposte a partir da ação desses que estão ocupando cargos de ministros, que sirvam de elo para a reabertura do diálogo.

Onde o governo errou – se errou?

Faltou uma parte importante do governo: falar para sociedade. Nesses primeiros 20 dias de governo, ocorrerão pequenos deslizes, mas que mostram desconexão com a pauta da sociedade, como a extinção do Ministério da Cultura, a ausência das mulheres no governo, a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Em relação especificamente da Câmara, a escolha do líder do governo mostra uma relação frágil do governo do presidente Temer com a base, que é uma base que está posicionada e liderada pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, do qual o líder do governo é um preposto.