Apesar de conservar boa dose de influência, Eduardo Cunha está mais fraco e corre risco de ser cassado pelo plenário da Câmara, dependendodos desdobramentos de seu caso no Judiciário. Depois de afastado do mandato e da presidência da Câmara, por determinação do Supremo, tornou-se difícil encontrar uma saída para o futuro político do deputado.

O arranjo imaginado pelo Planalto é a renúncia ao cargo em troca da eleição de um sucessor que faça parte do relacionamento de Cunha, hipótese rejeitada por uma razão elementar – destituído da Presidência, o deputado se tornará uma presa ainda maior do STF. E se for condenado, poderá fazer uma delação premiada capaz de causar impacto maior do que o provocado pelo ex-senador Delcídio Amaral.

Cunha e partidos

Não há saída para futuro político de Cunha
Não há saída para futuro político de Cunha

Cunha funciona como um partido, que impõe regras a um grupo de parlamentares, especialmente os do baixo clero. Facilita acessos e cobra fidelidade. Comanda um dos mais fortes e estruturados sob-PMDB sem operação há mais de 20 anos.

Desde que caiu em desgraça, em março do ano passado, vive numa gangorra. Numa semana, surgem novas denúncias contra ele; na outra, aparece como patrocinador de nomes que passam a ocupar cargos importantes no novo governo.

Nos últimos dias não foi diferente. Ao se defender no Conselho de Ética, não foi convincente, mas nos dias seguintes viu aliados ocuparem postos-chave no segundo escalão, como o novo líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-CE), que responde por várias acusações, inclusive tentativa de homicídio. Seu nome foi uma imposição de aliados ao presidente interino Michel Temer.

O fato deixou o governo constrangido, mas Temer não tem alternativa, por depender de uma base forte para aprovar rapidamente medidas duras de ajuste fiscal. Exceto torcer pelo desgaste de Cunha. Interlocutores palacianos apostam que o exílio minará as ações do deputado e reforçará o poder do presidente, principalmente a medida que a recuperação da economia se tornar efetiva. Prova disso é o recuo de Cunha, depois de anunciar que voltaria a frequentar a Câmara, com medo de nova punição do ministro Teori Zavascki.