A mudança de governo, há quase uma semana, criou um novo ângulo de visão para quem especula sobre as eleições de 2018. Além do enfraquecimento de Lula e do PT, e da aparente neutralização de Marina Silva, há novos ingredientes a considerar. Não se pode avaliar o cenário imaginando apenas um embate PMDB X PSDB e uma só coordenada: se der certo, o PMDB se fortalece, do contrário o PSDB será culpado pela derrota.

Os tucanos não têm o comando da equipe econômica, logo não poderão ser responsabilizados por eventual fracasso. O chefe do time da economia é o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ligado ao ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, das Comunicações, Ciência e Tecnologia, superpasta, com poder e influência sobre grande e rica área de atuação.

O dado novo que o Ministério Temer revela para entusiasmo do presidente é uma bancada de jovens advogados e parlamentares que têm tudo para ser as futuras lideranças de suas legendas. Entre os primeiros estão Fabiano Silveira, da Fiscalização, Transparência e Controle (ex-CGU), Alexandre de Moraes, da Justiça. Há também os casos Bruno Araújo (PSDB-PE), Mendonça Filho (DEM-PE), Raul Jungmann (PPS-PE), e o carioca Leonardo Picciani e o paraense Helder Barbalho, ambos do PMDB, além do já citado Kassab, chefe do PSD.

Apesar desse perfil jovial e renovado, no PMDB não é possível apontar hoje um nome com características de candidato natural para 2018. No PSDB, o problema é inverso: excesso de candidatos, mas postados numa linha de largada diferente da eleição passada. O senador Aécio Neves, candidato derrotado em 2014, e o governador Geraldo Alckmin, que se prepara para daqui a dois anos, estão desgastados por diferentes motivos.

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, fora do páreo de 2014, fortaleceu-se em 2015 como estrela do Senado, e ganhou cacife com ida para o Ministério de Temer, onde já começou a aparecer com força. Seu discurso ao receber o cargo, no Itamaraty, anunciou as dez novas diretrizes da política externa, uma formulação radicalmente oposta ao que foi praticado nos últimos 13 anos.

O ministro Bruno Araújo (Cidades) e seus colegas tucanos Antônio Imbassahy, líder na Câmara, e o ex-líder Carlos Sampaio, foram os principais responsáveis pela adesão ao impeachment por parte do PSDB, cuja cúpula reagiu mal à ideia no início.

Entre os demais partidos governistas, constata-se o fortalecimento do PP, com dois representantes no Ministério, ambos políticos de grande visibilidade – o já citado Gilberto Kassab, considerado um operador extremamente criativo, e o empresário Blairo Maggi, que mudou de legenda já com a indicação assegurada para o Ministério da Agricultura. Ambos têm potencial para entrar numa disputa presidencial ou liderarem uma aliança com os grandes para em 2018.