Pesquisa realizada pelo Instituto Paraná revela que o deputado federal Celso Russomano (PRB), o senador Marcelo Crivella (PRB) e o deputado estadual João Leite (PSDB) lideram a disputa para as prefeituras de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, as mais importantes do país.

Russomano tem 32,6% da preferência dos eleitores, Crivella, 38,1% e Leite, 20,6%. Outro ponto relevante da pesquisa é que tal desempenho é uma conquista de políticos que, apesar de representantes de partidos tradicionais, chegaram à política e tornaram populares trilhando caminhos alternativos: Russomano é radialista, Crivella é pastor e Leite ex-jogador de futebol.

Nas três cidades, nota-se um grande desgaste do PT. Em São Paulo, o prefeito e provável candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT), corre o risco de sequer chegar ao segundo turno. Em Belo Horizonte, o ex-ministro Patrus Ananias (PT) aparece em segundo lugar com baixa intenção de voto. E no Rio de Janeiro, os petistas não devem ter candidatura própria. Apesar do PSDB liderar com João Leite em Belo Horizonte, os tucanos estão mal posicionados em São Paulo e também no Rio de Janeiro.

O PMDB também aparece mal colocado. Embora a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) possa chegar ao segundo turno em São Paulo, os peemedebistas ficariam fora do segundo em Belo Horizonte, com Leonardo Quintão, e também no Rio de Janeiro, com Pedro Paulo.

Em São Paulo, pesquisa mostra que Celso Russomanno (PRB) desponta como favorito na disputa pela prefeitura. Russomanno se beneficia da divisão do eleitorado de centro-esquerda em três pré-candidaturas: Fernando Haddad (PT), Marta Suplicy (PMDB) e a deputada federal Luiza Erundina (PSOL). A dificuldade do empresário João Doria Júnior (PSDB) e do vereador Andrea Matarazzo (PSD) em serem competitivos também ajuda o representante do PRB, pois os três disputam a mesma fatia do eleitorado.

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Em Belo Horizonte, a liderança é do deputado estadual João Leite (PSDB). Hoje, o ex-ministro Patrus Ananias (PT) e o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB) disputariam uma das vagas no segundo turno. O ex-presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil (PSB), vem logo atrás de Quintão. Nesse eventual cenário, João Leite aparece hoje com um pequeno favoritismo em relação aos demais pré-candidatos.

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No eventual cenário sem João Leite (PSDB), Patrus Ananias (PT) aparece em primeiro lugar com 15,7% das intenções de voto. Logo atrás está Leonardo Quintão (PMDB) com 12,8%. O terceiro colocado é Alexandre Kalil (PSB), que soma 9,9%. Os demais candidatos aparecem com menos de 5% das intenções de voto. Brancos, nulos e indecisos somam 24,5%.

Na simulação sem a presença de Patrus Ananias e Leonardo Quintão, João Leite se isola na liderança com 29,5% das intenções de voto. O segundo colocado é Alexandre Kalil, que aparece com 11,1%, seguido por Eros Biondini (7,4%). Os demais candidatos aparecem com menos de 5%. Brancos, nulos e indecisos somam 26%.

No Rio de Janeiro, o líder e favorito da disputa nesse momento é o senador Marcelo Crivella (PRB). Crivella possui uma vantagem de mais de 20 pontos percentuais sobre o segundo colocado, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). O também deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSC), irmão do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), aparece bem posicionado. As demais opções de esquerda (Jandira Feghali-PCdoB e Alessandro Molon-REDE, ambos deputados federais) aparecem com baixa densidade eleitoral, assim como o secretário municipal de governo, Pedro Paulo (PMDB), que representará o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB) na eleição.

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Em outro cenário estimulado, Marcelo Crivella tem 31,2%. O senador Romário (PSB-RJ) aparece em segundo lugar com 16,3%. Marcelo Freixo (PSOL) é o terceiro com 9,4%, seguido por Flávio Bolsonaro (PSC), que tem 7,1%. Os demais candidatos aparecem com menos de 5%. Brancos, nulos e indecisos somam 16,6%.

Nota-se que o cenário muda apenas quando Romário aparece como pré-candidato. E mesmo assim, Crivella permanece em primeiro lugar. Por conta vantagem que Marcelo tem hoje é que o PSB tenha convencê-lo a filiar-se ao partido. Nesse caso, Crivella poderia ser o candidato a prefeito com Romário sendo seu vice.

Diferentemente das disputas anteriores, teremos uma eleição municipal que não terá como foco apenas os problemas locais. Dada a magnitude da atual crise política e econômica, o debate eleitoral será também nacionalizado.

Por conta disso, a liderança de candidatos vistos como “out-sider” em São Paulo e no Rio de Janeiro pode antecipar um novo comportamento eleitoral, onde nomes anti-política podem ser eleitoralmente viáveis em 2016 e depois em 2018?

O desgaste do PT e PSDB nessas importantes cidades é um sinal que a polarização vigente na política nacional desde 1994 chegou ao fim? E o PMDB, caso o governo Michel Temer consiga passar uma mensagem positiva nesses primeiros meses, considerá alavancar seus potenciais candidatos em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro?

Essas são questões que somente poderão ser respondida nos próximos meses, a partir da entrada do debate eleitoral na agenda da opinião pública.