As medidas econômicas a serem adotadas pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB), caso ele ocupe a Presidência, já estão desenhadas. E, por mais duras que sejam, a percepção de assessores mais próximos do vice é de que há disposição dos congressistas para aprová-las rapidamente.

O novo governo pretende enviar propostas ao Congresso apenas depois de negociá-las. A sistemática deve ser diferente da adotada pela presidente Dilma Rousseff, que, muitas vezes, surpreendeu o Parlamento com projetos sem consulta prévia.

A avaliação é que os parlamentares torcem para que o projeto Temer dê certo. A maior prova é que a iniciativa de novas eleições não encontrou apoio consistente na Casa. Se não houvesse interesse em colaborar com o novo governo, teria havido adesão à ideia.

Outro aspecto que pode ajudar na difícil tarefa de aprovar a agenda de ajuste é que estamos a dois anos e cinco meses da eleição de 2018. Haveria tempo, portanto, para que as medidas implementadas por Temer começassem a produzir resultados. Quanto melhor o ambiente econômico, maior a chance eleitoral daqueles que participam do processo de recuperação da economia.

Os parlamentares também estão sofrendo forte pressão de suas cidades, de seus estados e até mesmo de suas famílias para que encontrem soluções que tirem o país da crise.

A expectativa do novo governo é que a base de apoio de Temer comece com cerca de 400 deputados. Porém, admite-se que ela poderá diminuir ao longo do tempo por conta de atritos naturais.

Há grande cautela com relação ao comportamento do PT após o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Acredita-se que viveremos um jogo de versões muito intenso. Atos do vice-presidente poderão ser questionados sob a alegação de que ele não poderia tomar decisões irreversíveis, já que a titular pode retornar ao cargo.
Banco Central

Alexandre Tombini e outros diretores do Banco Central ficarão no cargo por mais algum tempo. Aqueles que estão sendo convidados precisam organizar suas vidas pessoal e profissional. A composição do BC na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece no início de junho, não deve ser alterada.