Uma vez no comando da Presidência da República, Michel Temer trocará a diretoria do Banco Central. Os nomes terão que ser analisados pelo Senado. A dúvida é saber se essas mudanças serão aprovadas antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 7 e 8 de junho, ou depois.

Se o afastamento da presidente por 180 dias ocorrer a partir de 12 de maio, o vice-presidente Michel Temer pode submeter no dia seguinte ao Senado o nome do presidente do BC e de alguns de seus diretores.

Levantamento feito pela Arko Advice mostra que, com exceção de Henrique Meirelles – análise recorde (dois dias) –, a aprovação de presidentes e diretores do BC demora em torno de duas semanas, entre a indicação e a votação no plenário do Senado. A de Armínio Fraga levou nove dias; a de Alexandre Tombini, 12. Os diretores Otávio Ribeiro Damaso e Tony Volpon esperaram 15 dias pelo resultado.

Serão três semanas entre o afastamento da presidente Dilma Rousseff e a próxima reunião do Copom. Ou seja, tecnicamente, existe a possibilidade de o novo presidente do BC e de alguns diretores serem aprovados pelo Senado a tempo de participar da reunião de junho.

Vale ressaltar que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado é presidida pela ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PR), do PT. É possível que sejam criados alguns obstáculos para o novo governo, como atraso no agendamento da sabatina e/ou escolha de um relator de oposição.