A internacionalização da crise política brasileira deflagrada há cerca de 60 dias pelo governo da presidente Dilma Rousseff, tem como principal objetivo, vender à opinião pública estrangeira, a idéia de que há um golpe de Estado parlamentar em curso no país. Um golpe sustentado pelos grandes meios de comunicação a serviço de corporações multinacionais mais interessadas na recuperação dos seus lucros, afetados pelo agravamento da situação econômica brasileira.

Neste sentido, buscou-se o envolvimento de mecanismos de consertação política regional como a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), do Parlamento do MERCOSUL (PARLASUL), da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), da Organização dos Estados Americanos (OEA), e de governos simpáticos como da Bolívia, Cuba, Equador, Uruguai e Venezuela. Até mesmo da Organização das Nações Unidas (ONU), onde a presidente pretendia denunciar o golpe, mas recuou diante das manifestações do Supremo Tribunal Federal (STF). Movimentos que são confirmados pela diplomacia brasileira.

 

Repercussão da crise política brasileira no exterior

O presidente uruguaio Tabaré Vázquez, que também preside o MERCOSUL, vem trabalhando para construir consenso em torno da suspensão do Brasil do bloco caso o impeachment de Dilma seja confirmado pelo Senado. Graças ao Paraguai, a manobra não avançou. Assunção entende que esta é uma questão de política interna do Brasil e não cabe aos vizinhos intrometer-se.

De acordo com diplomatas brasileiros e estrangeiros, o assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, que se fez presente na reunião do Conselho de Ministros de Relações Exteriores da UNASUL, realizada no sábado, 23, no Equador, teria denunciado a compra do impeachment pelas entidades empresariais ligadas a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Consultado, o assessor confirmou por meio de sua assessoria, a presença, mas negou o fato.

De acordo com sua versão, ele “expôs a posição que o governo brasileiro tem tornada pública nas últimas semanas”. A presidente tem dito que é vítima de um golpe. Garcia acrescenta ainda que “os países da UNASUL já têm opinião formada sobre a situação no Brasil”. Ele afirma ser falsa a informação de que Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Paraguai, não teriam aceitado inserir nos documentos do encontro, qualquer menção à crise brasileira. Garantiu que não houve qualquer demanda ou deliberação sobre o assunto. Também nega ter mantido contato com membros da Frente Ampla que governa o Uruguai, sobre o tema, e que é falsa a informação sobre conversas mantidas com líderes políticos internacionais e chefes de entidades regionais multilaterais, sobre a necessidade de suspenderem o Brasil do MERCOSUL. Por fim, “acrescenta que não comenta fontes não identificadas”. Faltou dizer o que fazia numa reunião de chanceleres já que o professor é assessor especial da presidente da República.

Agora, caberá ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, explicar ante o Senado Federal, que papel exerceu Garcia no Equador, o que disse, com quem falou e que tratativas discutiu. Requerimento com este objetivo foi aprovado nesta quinta-feira, 28.

As tentativas de fazer com que mecanismos regionais abracem essa causa existiram, segundo diplomatas brasileiros que pediram para não ser identificados. No entanto, não têm produzido os efeitos desejados.

O uso de mecanismos regionais e multilaterais e governos estrangeiros, não influenciam em nada. Sequer terão peso no iminente reconhecimento de um governo conduzido pelo atual vice-presidente. O Brasil responde por cerca de 45% da economia latino-americana. Relacionar-se com o país não é uma opção, especialmente para os vizinhos.

Estamos vivenciando a velha estratégia de terra arrasada, onde vale tudo para manter-se ou chegar ao poder, inclusive a própria presidente pedir que o seu país sofra sanções. Tudo em nome de um projeto político que se revelou tão corrupto e incompetente quanto os que o antecederam.