O outro lado da moeda de um possível governo Michel Temer será o seguinte: ainda que as expectativas dos agentes econômicos melhorem, pelo menos quatro fatores continuarão gerando alguma inquietação.

TSE. Está pendente de análise por parte da Corte Eleitoral o processo que pede a impugnação da chapa PT-PMDB. Temer trabalha com dois argumentos. Primeiro: separação de sua conta das contas do PT. Segundo: recusa de ser responsabilizado por eventuais ilegalidades cometidas pelo PT. Seu argumento se baseia no seguinte raciocínio: na hipótese de ter ocorrido o contrário, ou seja, de ele haver recebido recursos ilegais, a presidente perderia seu mandato? Há sinais de que o TSE não deve puni-lo caso o impeachment seja aprovado.

Impeachment. Há pedidos de afastamento do vice-presidente aguardando decisão do presidente da Câmara. O PT, caso a presidente Dilma Rousseff seja afastada, poderá apresentar novos pedidos e insistir no afastamento de Temer. Apesar do barulho, há pouca viabilidade de um processo como esse prosperar.

Pressões sociais. O PT deve intensificar, juntamente com movimentos sociais, movimentos anti-PMDB e anti-Temer. Poderão ocorrer greves e protestos na tentativa de desestabilizar o novo governo. Também pode haver apoio à iniciativa que pede a realização de novas eleições para a Presidência.

Lava-Jato. A operação continuará revelando fatos novos. E há investigações envolvendo políticos da potencial base aliada do novo governo, além de políticos importantes do PMDB.