Na última semana, uma sequência de eventos deu esperança ao governo na batalha do impeachment:

  1. A decisão do STF dando foro privilegiado ao ex-presidente Lula;
  2. A declaração do presidente do Senado, Renan Calheiros, de que a decisão do PMDB foi precipitada;
  3. A negociação ostensiva do governo de cargos com o PP, PR e PSD;
  4. A declaração do ministro Luis Barroso de que a alternativa ao governo Dilma é igualmente ruim e;
  5. As manifestações pró-governo.

De outro lado, a oposição bate cabeça, não tem uma estratégia clara, age de forma desarticulada com os demais partidos da base, além de não haver qualquer calendário definido de manifestações em favor do impeachment.

Mas o quadro ainda carrega muita volatilidade e está longe de ser favorável ao governo, que conseguiu congelar a situação, mas não reduzir a adesão ao impeachment. Pesquisa do jornal O Estado de São Paulo com 442 deputados, mostrou que 261 são favoráveis ao impeachment, 117 contra, 55 estão indecisos e 9 não quiseram se manifestar.

O deputado Ricardo Barros (PP-PR), cotado para a Saúde, disse ser “arriscado” uma indicação do PP, antes de a legenda decidir pelo rompimento ou não com o Planalto. Ainda não há reunião marcada para discutir o assunto.

O governo tem um problema estrutural. Está prometendo uma agenda para sua base social e outra para os aliados. São agendas conflitantes e um dos lados sairá frustrado.

Dificilmente o governo terá 172 votos para evitar o impeachment. E o Palácio sabe disso. O que se tenta evitar é que a oposição reúna os 342 necessários. Há uma tentativa de convencer alguns parlamentares a não estarem em Brasília no dia votação.

A sensação térmica do dia da votação terá grande peso na definição do voto do parlamentar. Em 1992, até a véspera da votação do impeachment do Collor, não havia votos suficientes para cassá-lo.