A tendência de aprovação do processo de impeachment na Câmara ainda é majoritária, mas a batalha não está definida. A seguir, relação de vetores decisivos para consolidar a tendência pró-impeachment ou a sua reversão:

As 12 variáveis:

Tempo. A votação no plenário da Câmara deverá ocorrer entre os dias 15 e 20 de abril. Serão pelo menos 15 dias para que o governo trabalhe os indecisos em busca dos 75 votos que lhe faltam.

Votação. O voto será nominal e aberto, o que favorece a pressão popular. Eduardo Cunha já decidiu que a ordem da votação deve ser do Sul para Norte, o que é ruim para o governo, pois o Sul tem um maior viés pró-impeachment. Essa decisão poderá ser contestada pelo governo. No julgamento de Collor, no entanto, seguiu-se a ordem alfabética.

Plenário. O ambiente de plenário, tal qual o campo de uma partida de futebol, influencia no resultado. Muitos deputados podem mudar o voto a partir da “sensação térmica” do ambiente. Tal fato reforça a importância do item anterior.

Lava-Jato. Novas denúncias e delações podem impactar profundamente o processo. Em especial, se atingir os “top five” protagonistas: Dilma, Lula, Temer, Cunha e Renan.

Guerrilha Jurídica.
Ações diversionistas estão sendo adotadas por alguns aliados do governo. Seus advogados podem pedir o impeachment de Temer pelos mesmos motivos alegados contra Dilma.

Cunha. O PCdoB instruiu seus diretórios a entrar com ações populares contra a presença de Cunha no comando do processo. Caso ele seja afastado, mesmo temporariamente, a tramitação poderá ter atrasos e contratempos que favorecerão a petista.

STF. A Suprema Corte pode tomar decisões muito importantes que também afetarão o caso. Por exemplo: resolver que a nomeação de Lula é legal. Ou que Cunha deve ser afastado. Ou, ainda, que, Dilma tenha praticado ato para obstruir a Justiça.

Nova Base. A saída do PMDB abriu espaço para outros partidos. PP, PR e PSD, que possuem 122 votos, são o alvo preferencial. Vários cargos estão sendo oferecidos. Na próxima semana está prevista mudança na equipe ministerial. Caso a operação seja bem-sucedida, as chances de aprovação diminuem sensivelmente.

PGR. A PGR deverá pedir a abertura de inquérito no STF contra 70 parlamentares no início de abril. O governo acredita que a iniciativa pode alterar o humor dos parlamentares a favor do impeachment.

Popularidade. Nova pesquisa do Ibope informa que a aprovação de Dilma Rousseff permanece em patamares muito baixos. Sua administração é desaprovada por 82%.

Lula. Considerando que Dilma luta para ganhar cerca de 75 votos, Lula, livre para operar politicamente depois da decisão do Supremo, tem condições – mesmo ferido – de ajuda-la.

Manifestações. Adversários e defensores do afastamento programam intensificar as manifestações nas próximas semanas. O clima poderá ficar tenso, à medida que Dia D na Câmara se aproxima. Há riscos concretos de embates com violência.

O comportamento dos vetores acima mencionados é muito importante para o desfecho da questão e precisam ser monitorados. Considerando o pouco tempo para a votação do parecer, o governo está sufocado pelo calendário e pelos desafios que se apresentam.

Os obstáculos a serem vencidos para que a oposição faça valer seu atual favoritismo são igualmente impressionantes. Mesmo depois de vários erros e desgastes do Planalto, os votos para aprovar o impeachment ainda não estão garantidos.