A mais recente pesquisa Datafolha sobre a sucessão de 2018 mostra que, por enquanto, nenhum pré-candidato se beneficia da atual crise. No entanto, os percentuais da ex-senadora Marina Silva (REDE), do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) e do juiz Sérgio Moro (Sem partido), nomes dissociados da política tradicional, somado ao elevado percentual do chamado “não voto” (brancos, nulos e indecisos), que hoje contabiliza entre 18% a 27%, dependendo do cenário, sugere espaço aberto para um nome anti-establishment.

Segundo o Datafolha, tanto o senador Aécio Neves (PSDB-MG) como o ex-presidente Lula (PT) perderam intenção de voto com o agravamento da crise política (ver tabela abaixo). Assim, quem aparece hoje numericamente na liderança é Marina Silva (REDE), que não perdeu pontos na comparação com a última pesquisa. No entanto, considerando a margem de erro (dois pontos percentuais para mais ou para menos), Marina, Aécio e Lula estariam hoje tecnicamente empatados. Vale registrar que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) tem baixa densidade eleitoral.

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No segundo cenário, com o candidato do PSDB sendo o governador Geraldo Alckmin (SP), Marina figura na liderança, embora não tenha crescido na comparação com a sondagem de fevereiro. Assim como no cenário anterior, Lula perdeu pontos, mas segue em segundo lugar. Já Alckmin, Bolsonaro e Ciro permanecem estáveis. Michel Temer aparece com 2%. E o chamado “não voto” atinge quase 1/3 do eleitorado.

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No terceiro cenário simulado, com o senador José Serra (SP) sendo o candidato do PSDB, Marina Silva novamente desponta na liderança. Assim como nos dois cenários anteriores, Lula perdeu intenção de voto (quatro pontos). Serra oscilou negativamente dentro da margem de erro. Porém, por conta da queda de Lula, o senador tucano aparece hoje tecnicamente empatado com o ex-presidente em segundo lugar. Ciro e Bolsonaro também oscilaram dentro da margem de erro. Temer tem 1%. E os que declaram voto em branco, nulo ou estão indecisos somam 25%.

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Na quarta simulação, há um cenário mais pulverizado ainda, pois foram incluídos os nomes de Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin, além de Sérgio Moro. Assim como no primeiro cenário, há um triplo empate na liderança entre Marina Silva, Lula e Aécio. Nesse cenário, quem mais perdeu pontos em relação a fevereiro foi Aécio (seis pontos). Chama atenção a potencial inicial de Moro. O juiz aparece numericamente a frente de Serra, Bolsonaro, Ciro e Alckmin. Temer tem novamente com 1%. Em relação ao chamado “não voto”, o índice registra uma queda. Nesse quatro, o percentual é de 18%. Ao que tudo indica, essa redução deve-se a entrada de Sérgio Moro na simulação, que atraiu parcela desses eleitores.

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Quando observamos os índices de rejeição, nota-se um crescimento dos percentuais de Lula e Aécio. A rejeição ao ex-presidente não para de crescer desde novembro de 2015 (ver tabela abaixo). O índice do senador tucano havia caído entre dezembro do ano passado e fevereiro deste ano, mas subiu novamente em março. Hoje, a rejeição de Aécio é superior a de outros pré-candidatos tucanos: José Serra e Geraldo Alckmin. Quem se beneficiaria num eventual segundo turno devido a sua baixa rejeição é Marina Silva. Principal nome da anti-política hoje, Sérgio Moro, também possui baixa rejeição.

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Os números trazidos pelo Datafolha sobre a sucessão de 2018 foram negativos não apenas para o PT, mas também para o PSDB.

O ex-presidente Lula perdeu entre três e quatro pontos (dependendo do cenário) em relação a fevereiro, além de hoje ser rejeitado por 57% dos entrevistados. Embora os 17% de intenção de voto que Lula possui possa ser considerado um índice interessante dada a conjuntura extremamente adversa pela qual o ex-presidente passa, a rejeição de quase 60% inviabiliza hoje suas pretensões eleitorais num eventual segundo turno. Mais do que isso, pode inclusive derrotar o ex-presidente ainda no primeiro turno. Com o governo Dilma fortemente ameaçado pelo impeachment e a Operação Lava-Jato cercando Lula, seu projeto para 2018 está ameaçado.

Também pode-se dizer que a atual crise atingiu o PSDB, principalmente Aécio Neves, que perdeu entre cinco e seis pontos nas simulações. Devido aos pontos que Aécio perdeu, hoje ele tem praticamente a mesma densidade eleitoral de Geraldo Alckmin e José Serra, que ficaram estagnados na comparação com a pesquisa de fevereiro. Hoje, Aécio ainda é o nome mais forte do PSDB para 2018. Porém, Alckmin e Serra ainda estão no jogo.

Com isso, a sucessão de 2018 está em aberto, sem favoritos. Hoje, Marina, Aécio e Lula aparecem tecnicamente empatados no cenário em que ambos são testados como candidatos.

Porém, como Marina está estagnada, e Aécio e Lula perderam pontos, há espaço para o surgimento de novas alternativas. Prova disso é o elevado percentual de brancos, nulos e indecisos, que juntos somam cerca de 1/3 do eleitorado.

Um exemplo desse espaço para novas alternativas é quando Sérgio Moro é incluído como candidato. Nesse cenário, observa-se uma considerável redução do percentual de brancos, nulos e indecisos na comparação com os outros cenários.

Depois de PT e PSDB polarizarem as últimas seis eleições presidenciais, a tendência é que esse ciclo se encerre em 2018. Após a grave crise que atingiu o PT, existe o risco real do partido sequer chegar ao segundo turno na próxima disputa, abrindo espaço para uma nova via, o que não necessariamente é positivo para o PSDB.