A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota do Brasil em dois graus, de Baa3 para Ba2, com perspectiva negativa. Isso significa que indica novos rebaixamentos virão. O país perdeu o grau de investimento. Já não possuía o selo de bom pagador determinado pelas outras duas principais agências do mundo (Fitch e Standard & Poor’s reduziram a nota brasileira em 2015).

A nota divulgada pela Moody´s revela que o rebaixamento decorreu da perspectiva de maior deterioração fiscal, em ambiente de baixo crescimento. A dívida pública poderá superar 80% do Produto Interno Bruto em três anos. A agência sublinha também a “dinâmica política desafiadora”, que continua a complicar os esforços de consolidação fiscal das autoridades e a atrasar as reformas estruturais.

Em bom português, o Brasil está bordejando o precipício. Com sério risco de se jogar no buraco mais fundo do que já se encontra. É impressionante a dificuldade de o governo da presidente Dilma Rousseff anunciar meros princípios e conceitos a serem perseguidos para que, ao menos, a economia brasileira interrompa o processo de queda.

Crescimento, neste momento, nem pensar. Não há condições objetivas. As agências de risco perceberam os problemas.
O Brasil foi atingido pela maré montante da onda liberal que percorre a América do Sul. Jornais demonstram nos últimos dois anos a progressiva redução das esquerdas e, no sentido contrário, importante expansão do centro para a direita. O processo se iniciou há alguns anos, com o aumento da rejeição dos governos vermelhos. E tem se acentuado nos últimos tempos. Resultado direto dos sucessivos fracassos econômicos.

As eleições transformaram altas taxas de rejeição em mudanças de governos. Apesar da enorme máquina peronista de Cristina Kirchner, as eleições presidenciais na Argentina surpreenderam as pesquisas no primeiro turno e mostraram a ascensão de uma frente de centro-direita. No segundo turno, a vitória de Mauricio Macri ocorreu sem sobressaltos.
As eleições parlamentares na Venezuela, em dezembro de 2015, derrotaram as pesquisas e as manipulações do presidente Nicolas Maduro. A oposição venceu com a maioria constitucional, com mais de dois terços dos parlamentares. O quadro político se inverteu. O governo aprovou lei delegada antes da posse do novo parlamento e passou a agir para obstruir as iniciativas parlamentares com base e fundamento em decisões da Suprema Corte, recheada de pessoas ligadas ao chavismo.

Evo Morales, respaldado em pesquisas que lhe atribuíam maioria no país, convocou plebiscito para alterar a Constituição e abrir espaço para mais um mandato presidencial, o quarto, até 2025. Escândalos de corrupção foram divulgados. Pouco antes da eleição surgiu o caso de sua ex-namorada contratada por uma empresa chinesa por milhões. O sim e o não foram convergindo e chegaram ao plebiscito empatados. O resultado revelou a vitória do não e a rejeição ao quarto mandato.

As eleições presidenciais no Peru serão realizadas em abril. A rejeição ao presidente Humala Ollanta atingiu recordes próximos aos números de Dilma. O quadro das candidaturas presidenciais está pulverizado. Lidera a filha de Fujimori. Surgiu Julio Gusman, economista que trabalhou no BID, ministro da fazenda e coordenador de gabinete. Criou um partido (Todos pelo Peru) e ocupa o segundo lugar uns 10 pontos abaixo dos 30 pontos de Keiko Fujimori. O atual presidente não conseguiu sequer lançar um candidato.

O Brasil vive um período de rejeição elevadíssima da presidente. Dilma respira com a ajuda de aparelhos, mas o noticiário de cada dia complica ainda mais a situação presidencial. A prisão do marqueteiro, que recebeu dinheiro em contas secretas no exterior, durante a última campanha complicou o que já era confuso. A estrela vermelha se desmancha. Seu nível de influência é cada vez menor. O Partido dos Trabalhadores não quer ou não consegue perceber a extrema dificuldade do momento.

Barack Obama vai a Havana, depois de autorizar dez voos diários entre Estados Unidos e Cuba. Em seguida, viaja a Buenos Aires para abraçar Macri. No Brasil, não é possível enxergar o próximo capítulo. Quem vai prevalecer ao final deste longo estertor. Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Ciro Gomes, ou Álvaro Dias. A eleição poderá se assemelhar a de 1989 quando Collor, o grande azarão, foi eleito com um discurso radical de limpeza do país e ataque à inflação. Há chances de surgir um candidato desconhecido com postura de salvador da pátria. Mas o segundo turno parece estar garantido.