A presidente Dilma Rousseff voltou a vencer na Câmara com a eleição do ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PB) para líder da bancada do Partido Progressista (PP). Ele concorria contra Cacá Leão (BA), candidato apoiado pelo atual líder, Eduardo da Fonte (PE).

Mesmo com as denúncias de corrupção reveladas pela Operação Lava Jato, Dilma consegue se fortalecer contra o impeachment. São os líderes quem indicam os representantes da comissão especial que discutirá o afastamento.

Diferente da eleição da bancada peemedebista, que ainda está dividida após a derrota do deputado Hugo Motta (PB), candidato apoio pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para o líder reeleito Leonardo Picciani (RJ), a eleição realizada nesta quarta-feira (24) não deixa sequelas para o governo.

O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PB), também alvo da Lava Jato, entrou em campo para garantir a vitória de um deputado alinhado ao governo. Ele contou com o apoio do ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), que acompanha com lupa as eleições de líderes – dando o suporte necessário para evitar surpresa.

Numa semana complicada por causa da prisão do marqueteiro da campanha de Dilma, João Santana, ela encontra no controle dos partidos aliados um importante refresco. Nova etapa superada.

Delcídio arrepia governo Dilma

Ex-líder do governo da presidente Dilma Rousseff, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) tem tirado o sono de ministros, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de senadores petistas. No Palácio do Planalto, está instalado o clima de apreensão.

Considerado o mais tucano dos petistas, Delcídio relatou ao governo mágoa por ter sido abandonado após a revelação de gravação do senador preparando suposta fuga do ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró, preso pela Operação Lava Jato.

Cerveró foi quem preparou um relatório de duas páginas que culminou com a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos. Na ocasião, Dilma era presidente do Conselho de Administração da Petrobras e avalizou a aquisição.

Na tentativa de preservar seu mandato, Delcídio ameaça contar o que sabe sobre a corrupção na Petrobras caso seja abandonado pelo governo. Ele estuda, inclusive, deixar o partido. Lula, principal fiador da campanha do senador ao governo de Mato Grosso do Sul, em 2014, é quem mais perderia com as revelações de Delcídio. Ele acabou derrotado no segundo turno por Reinaldo Azambuja (PSDB).

Delcídio ficou furioso com sua substituição na presidência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado pela ex-ministra da Casa Civil, senadora Gleisi Hoffman (PT-PR). No governo, diz-se que o senador não é confiável. A avaliação é baseada na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, 2005. O senador presidiu a CPI, que inicialmente investigou denúncias de corrupção na estatal e culminou com a descoberta do mensalão. Na época, foi duramente criticado por petistas.

Petista tucano

O governo acredita que corre na veia de Delcídio o sangue tucano. Tanto que a militância do partido tenta jogá-lo às feras, associando-o ao PSDB. Não é por acaso a investida. Ele foi filiado ao PSDB até 2001, quando se mudou para o PT. Em 2002, já no PT, foi senador pela primeira vez em 2002 e reeleito em 2010.
Para o governo, a ideia é associar o senador ao inimigo tucano. O risco é incalculável. Delcídio relata a amigos que não cairá sozinho. Pode incendiar o governo.