Não há mais política no Brasil. Este é o primeiro dado a considerado em qualquer debate sobre o tema. Quantidade enorme de parlamentares foi eleita por intermédio de generosas doações de grandes empresas, que, naturalmente, descontaram as despesas em espetaculares processos de superfaturamento de obras. O mesmo fenômeno ocorreu na Petrobras e outras empresas estatais. Dinheiro sujo irrigou campanhas eleitorais de vários tipos e tamanhos.

Portanto, não existem inocentes na presente história brasileira. Todos são mais ou menos culpados. Alguns, contudo, são inocentes. Minoria é verdade. Necessário separar uns de outros, o que é difícil, mesmo porque com a nova janela para que deputados e senadores mudem de partido a geleia geral vai se refazer. Muita gente vai se esconder sob nova sigla, com objetivo de camuflar malfeitos praticados nos últimos anos.

Parte sensível do comando do Partido dos Trabalhadores está na prisão ou responde a pesados inquéritos. Até o ex-presidente Lula sofre a ameaça de responder a inquéritos por causa do famoso tríplex no Guarujá, em Santos, e do sítio de Atibaia, São Paulo. Seus filhos também andaram inovando. Um deles conseguiu milhões de reais como recompensa por entregar um longo arrazoado copiado de Wikipédia na internet. Boa maneira de ganhar dinheiro. Emoldura o ambiente o monumental rombo dos grandes fundos de pensão brasileiros. Todos eles administrados por representantes do PT.

A confusão entre o público e o privado é a característica da ação governamental nos últimos anos. O país, como se sabe, quebrou. A presidente revelou que não há mais como realizar cortes. Ela alega que já foi efetivado o possível. Ainda não diminuiu o número de terceirizados e não eliminou ministérios supérfluos. Mas ninguém precisa ser tão específico. O fato é que o dinheiro acabou. A necessidade de aprovar o retorno da CPMF, o famoso imposto do cheque, é a única saída. Ela gastou demais e o contribuinte vai pagar a conta criada pelo próprio governo federal.
Agências de risco, que não discutem política, analisam objetivamente a situação. A Standard and Poors rebaixou a nota soberana do Brasil pela segunda vez no espaço de cinco meses. Trata-se de um recorde. Alcançamos o mesmo nível do Paraguai. O nosso vizinho, Argentina, ao contrário, está saindo da encrenca que Cristina Kirchner criou. Aqui tudo está pior. Os resultados financeiros são sempre acompanhados do comentário: o pior resultado em dez, vinte ou trinta anos. Nunca se viu, nem viveu nada igual no Brasil contemporâneo.

Impeachment é apenas o sinal do inconformismo com o descalabro das contas públicas nacionais. E nada ocorreu por obra do acaso ou da conjunção de astros. Tudo foi realizado, pensado e planejado com o objetivo de alcançar estes resultados. Especialistas advertiram várias vezes ao longo dos últimos anos que o país iria entrar em forte turbulência. Chega a ser patético, líderes trabalhistas pregarem agora a retomada do desenvolvimento quando o cenário, admitido pelo Banco Central, é de recessão pesada, pelo terceiro ano consecutivo. De novo, um resultado para constar do livro dos recordes.

O que restou para o Brasil?

Voltando ao início. Não há debate político. Existe discussão policial. Fulano é ou não é culpado. O presidente da Câmara dos Deputados possui ou não contas no exterior? A campanha da presidente Dilma pressionou empresas para fazer doações no período eleitoral? Ao que parece, tudo isso aconteceu. Está provado e flagrado pelo Ministério Público. Os processos cedo ou tarde vão caminhar. E produzir resultados. A penitenciária do Paraná deverá receber novos hóspedes.

O processo é curioso. Todos vão perder no médio prazo. Não há vencedores no horizonte visível. O novo líder, comandante ou herói, ainda está em gestação. A atual safra de protagonistas da política brasileira está condenada. Parte vai para a cadeia, parte caminha para o esquecimento. E a presidente Dilma será julgada pela da história.
Cinco anos foram suficientes para cometer operações financeiras capazes de fazer corar frade de pedra. O resultado está diante de todos: recessão, desemprego e inflação. E um monte de políticos e burocratas que se perde em explicações inúteis. O jogo acabou. Eles não perceberam.

Restou, no palco dos políticos, o saldo do carnaval: zika, dengue, febres, canteiros de obras inacabadas, dívidas, péssimos serviços de saúde, de educação, de transportes públicos. Uma geração foi para o sacrifício. A Venezuela é aqui.