O deputado Leonardo Picciani (RJ) foi reconduzido à liderança do PMDB na Câmara para mais um mandato de um ano à frente da bancada. Aliado do Palácio do Planalto e parlamentar de prestígio junto à presidente Dilma, ele recebeu 37 votos. Derrotou o deputado Hugo Motta (PB), que apesar do apoio do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, alcançou apenas 30 votos. Dois deputados votaram em branco.

O placar deixa evidente a divisão do PMDB em duas alas – pró e contra o impeachment de Dilma -, embora a legenda faça parte da coalizão que sustenta o governo, ocupando a vice-presidência da República e seis ministérios.

A preferência por Picciani, mesmo com placar relativamente apertado, representa uma vitória da presidente, que empenhou todos os recursos políticos ao seu alcance para derrotar seu arquiadversário Eduardo Cunha, quartel general das forças que querem afastá-la do Planalto.

Caberá ao líder de cada bancada indicar os integrantes da comissão especial que analisará o pedido de afastamento da petista. As 65 cadeiras do colegiado serão distribuídas de acordo com o tamanho das bancadas – o PMDB terá direito a oito.

Por que Dilma ganha com reeleição de Picciani?

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Picciani e Dilma

A vitoriosa aposta em Picciani deu à presidente a garantia de uma porção importante de governabilidade, pois como maior partido da Câmara o PMDB é estratégico na tramitação de projetos de interesse de governo, como as propostas de ajuste fiscal. A eleição do deputado carioca reforça a aproximação do PMDB com o governo, depois do acordo que visa assegurar a manutenção de Michel Temer na presidência do partido.

A consequência imediata da recondução de Picciani é a sinalização do acentuado desgaste sofrido por Eduardo Cunha, até aqui considerado não apenas uma das forças mais influentes do PMDB como campeão de manobras políticas, principalmente aqueles que visam derrotar o governo.

Picciani terá dificuldade de unir a legenda. Logo depois de sua vitória, o grupo perdedor cogitava lançar candidatos avulsos em todas as comissões permanentes a que o PMDB terá direito de presidir contra os presidentes indicados pelo Picciani.

A oposição torcia pela vitória de Motta. Via nela a possibilidade de reaquecer a discussão do impeachment. Com mais esse revés, aumentará a pressão sobre o Tribunal Superior Eleitoral, que tornou-se uma das últimas instâncias na luta pela derrubada de Dilma. O Tribunal analisa ações de impugnação da chapa que reelegeu Dilma e Temer.