Em 2016, os movimentos sociais serão impulsionados pelos seguintes eventos: as mudanças nos governos e Parlamentos da América Latina, a exemplo do que ocorreu recentemente na Argentina e na Venezuela; o questionamento em torno do governo do PT, inclusive com pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff; e a crise econômica, que, no imaginário dos militantes sociais, interromperá a trajetória de combate à miséria e à desigualdade.

Os movimentos sociais no Brasil, ao longo dos governos do PT, talvez com exceção do Conlutas (Central Sindical do PSOL e do PSTU), tiveram uma postura cooperativa muito em função de benesses governamentais. Lembremos que as manifestações de junho de 2013 não foram lideradas pelos movimentos sociais nem pelos partidos políticos, tampouco contaram com sua participação.

Entretanto, o desgaste do governo Dilma expôs suas lideranças e ficou praticamente impossível manter a política de atrelamento, antes justificada pela política de inclusão promovida pelo governo federal. Para eles, o governo do PT tem perdido legitimidade porque abandonou o programa sufragado nas urnas e passou a governar com o programa dos adversários, que, durante a campanha, foi fortemente acusado de defender ajustes fiscais e redução do papel do Estado na economia.

Com a crise econômica e o aprofundamento de medidas de ajuste, iniciadas com a edição das MPs nº 664 e nº 665, de 2014, que resultaram em corte ou redução de direitos trabalhistas e previdenciários, esboçava-se uma tendência de inflexão dos movimentos sociais (sindical, estudantil, sem terra, sem teto, atingidos por barragens, entre outros), com recrudescimento de cobrança de políticas públicas e governamentais em favor desses segmentos.

Contudo, no momento em que estavam sendo planejadas grandes manifestações por mudanças de rumo do governo, veio a crise política e o pedido de impeachment, logo classificado como golpe. O ex-presidente Lula, em recente evento promovido por movimentos sociais, fez uma comparação do Brasil com um trem descarrilado. E pediu que, neste momento, antes de escolherem o vagão em que gostariam de estar, os militantes políticos e sociais colocassem, primeiro, o trem nos trilhos. Ou seja, pediu que não se criticasse a política econômica porque isso fragilizaria o governo.

Essa trégua, entretanto, só durará até que se resolva o problema do impeachment. Com ou sem o afastamento da presidente, a partir de março de 2016 os protestos voltarão com intensidade, especialmente contra o ajuste, pela retomada do crescimento e pelo combate ao desemprego.

No caso específico das entidades sindicais, inclusive as centrais, haverá duas táticas. Uma, geral, de engajamento e liderança de movimentos por mudanças na política governamental. Outra, pragmática, nas negociações com as empresas. A prioridade será preservar o emprego, buscando acordos de adesão das empresas ao programa de proteção ao emprego, que evita demissão em massa e vai vigorar até 2017.