Dilma Rousseff enfrentou uma semana carregada de intensos eventos políticos. As denúncias estão cada vez mais próximas do ex-presidente Lula, acusado de ocultar a propriedade de um apartamento tríplex. O governo tentou relançar a economia numa reunião do Conselhão reestruturado, mas não conseguiu a pauta positiva que planejou.

 

São Paulo 27/01/2016 Ex Presidente Lula e Kailash Sathyarti – Premio Nobel da Paz de 2014 durante visita ao Instituto Lula. Foto Ricardo Stuckert/Instituto Lula

LULA

Testemunhas afirmam que o ex-presidente era proprietário de Tríplex reformado pela OAS

Um apartamento de R$ 2,5 milhões, no Guarujá, está sendo investigado pelo MP e pela operação Lava-Jato. Suposta propriedade oculta de Lula, o imóvel teria beneficiado pessoas ligadas ao PT para lavar dinheiro de contratos da Petrobras. Em diversos depoimentos, o ex-presidente foi acusado de, como dono do tríplex, influenciar na contratação da OAS para concluir a obra no prédio. O advogado da família afirma que Lula tinha apenas uma cota da propriedade. O ex-presidente terá que se explicar em interrogatório no dia 17 de fevereiro. É a primeira vez que ele é intimado a depor na condição de investigado.

 

Ministro Marcelo Castro

MARCELO CASTRO

Ministro do PMDB sofre novo desgaste ao dar declaração polêmica sobre o mosquito, mas se segura no cargo

O ministro da Saúde irritou novamente o Palácio do Planalto ao afirmar que o “país está perdendo feio a guerra contra o Aedes aegypti”. A fala desastrada veio no momento em que o governo tenta demonstrar ação mais forte contra a epidemia de dengue e envolver a sociedade no combate ao mosquito. O desconforto levantou rumores de possível troca de Marcelo Castro, que recebeu solidariedade de correligionários do PMDB. A presidente Dilma tratou de pôr panos quentes e defendeu o ministro. Apesar de desgastado, Castro ganhou sobrevida, mas seu futuro depende do êxito que tiver em debelar o problema e também em controlar a boca.

DF - MENSALÃO/JOSÉ DIRCEU/PRISÃO DOMICILIAR - POLÍTICA - O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado no processo do mensalão, é visto saindo do Centro de Progressão Penitenciária (CPP), em Brasília, rumo ao seu trabalho em um escritório de advocacia. O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que Dirceu passe a cumprir em casa a pena a ele imposta. Condenado a 7 anos e 11 meses de prisão, ele cumpre a pena desde 15 de novembro do ano passado no regime semiaberto, em que tem permissão para sair durante o dia para trabalhar e retornar à noite para a prisão. 29/10/2014 - Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

JOSÉ DIRCEU

O ex-ministro admitiu ter aceito dinheiro de lobista, mas negou envolvimento com a Petrobras

O ex-ministro José Dirceu reconheceu ter recebido dinheiro de lobista, mas observou que foi usado apenas na reforma de um apartamento do irmão e que a importância não estava relacionada a propina. A expectativa era que ele atribuísse à influência do PT a nomeação de Renato Duque para a diretoria da Petrobras, onde se envolveu em corrupção. A situação de Dirceu pode se complicar. O MPF pediu que o delator Fernando Moura, que implicou o ex-ministro na Lava-Jato, seja ouvido novamente. Ele confessou que o petista o aconselhou a fugir, e mais tarde disse ter mentido com medo de represálias.

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff em entrevista coletiva após reunião sobre ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, na Sala Nacional de Coordenação e Controle da Dengue (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

DILMA ROUSSEFF

Discurso da presidente no Conselhão foi recebido com ressalvas por empresários e sindicalistas. Esperava-se mais

A presidente reuniu, pela primeira vez no segundo mandato, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Pressionado por aliados, setor produtivo e mercado, o governo persegue o reaquecimento. Dilma defendeu a aprovação da CPMF e a necessidade de reformar a Previdência. Mas os temas não são consensuais. Alguns empresários acharam que a ida à Brasília foi perda de tempo. Outros disseram que apoiam a CPMF se o governo aprovar um teto rígido para seus gastos. Sindicalistas saíram irritados com a defesa da reforma da Previdência e o uso do FGTS como fonte de R$ 83 bilhões em crédito para a economia.

DELFIM NETTO

Economista liberal sugere a Dilma receita coerente que ela não tem condições de pôr em prática

Depois de reunir-se com Lula e Luiz Gonzaga Belluzzo, o ex-ministro da Fazenda sugeriu a Dilma que confronte o Congresso com propostas para consertar a Previdência, desindexar a economia e desvincular verbas do Orçamento. Delfim tornou-se conselheiro estratégico do ex-presidente e da atual, mas só é ouvido pelo primeiro. Dilma considera-se economista e não comunga o liberalismo de Delfim. Além de o PT recusar as três sugestões, a presidente não tem base parlamentar para tentar lance tão ousado. Vai fazer o contrário: aumentar o crédito e evitar o confronto com quem pode aprovar seu impeachment.