A presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer tiveram o primeiro encontro de 2016 na semana passada. Embora parte da imprensa tenha atribuído a reunião a uma tentativa de reconciliação, o encontro foi apenas protocolar.

A relação entre Dilma e Temer, que já vinha deteriorando desde o primeiro mandato da presidente, ficou ainda pior após o vazamento de uma carta enviada pelo vice a Dilma, na qual Temer fez uma série de reclamações a respeito do tratamento que recebe no Palácio do Planalto.

Mesmo sem a proximidade de antes, o vice fez algumas sugestões importantes para a presidente. No entendimento de Temer, Dilma deveria ouvir a oposição e reativar o Conselhão. Para ele, isso ajudaria a promover a pacificação no país e a enfrentar as crises políticas e econômicas.

Uma questão que poderá provocar novos atritos entre a presidente e seu vice é a escolha do novo líder do PMDB na Câmara. Embora o vice-presidente não deva se envolver na disputa, a eventual recondução ao posto do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), de interesse do Planalto, não seria positiva para Temer, já que fortaleceria internamente o PMDB do Rio de Janeiro, principal seção estadual de oposição a ele no partido.

As eleições municipais também representarão outro foco de tensão. Enquanto o PT tentará minimizar o estrago que a crise política pode provocar sobre o desempenho eleitoral do partido, o PMDB se afastará cada vez mais dos petistas, já pensando em se fortalecer para a campanha em 2018.

Apesar das dificuldades de uma reconciliação entre Dilma e Temer, a relação institucional estabelecida entre ambos é um fato positivo para o governo. Principalmente porque focos de tensão entre PT e PMDB, os dois maiores partidos da base aliada, tendem a continuar presentes na agenda política.