Ciro Gomes foi lançado à presidência da República na reunião do diretório do PDT, ao qual filiou-se, com a presença da presidente Dilma. O partido a homenageou fechando questão contra o impeachment. Toda essa operação foi trabalhada minuciosamente por Carlos Lupi, presidente da legenda criada por Leonel Brizola e à qual Dilma pertenceu.

Lupi tem vendido Ciro Gomes como o “Plano B” do PT para a campanha de 2018, no caso de o ex-presidente deixar o páreo. Haveria duas razões para isso: envolvimento com escândalos de corrupção ou aprofundamento da crise econômica, agravando seu desgaste eleitoral e do partido. Ex-ministro de Lula, Ciro chamou a atenção durante a semana por causa de entrevistas nas quais dava declarações garantindo que não haverá golpe.

A jogada do PDT é a repetição de uma velha fórmula: Lupi lança nome próprio à presidência, faz uma campanha como força auxiliar do PT, perde e torna-se interlocutor do eleito, o que deu certo com Cristovam Buarque contra Lula em 2006. O passo seguinte é cobrar um ministério em troca de apoio. O que preocupa agora o Planalto é o retorno de Ciro ao centro da cena política.

Político agressivo e sempre atento para aproveitar uma boa oportunidade, ele havia se afastado da presidente quando seu irmão, Cid, deixou o Ministério da Educação fazendo muito barulho. Pouco tempo depois passou a criticar Lula, que segundo Ciro estava fazendo mal ao país com sua excessiva interferência.

O PT teme que em vez de ajudar, como crítico feroz de Eduardo Cunha, Ciro Gomes complique mais o cenário. Ele poderia ser aquele candidato de ocasião, que agradaria ao eleitorado com seu perfil de franco atirador, tipo Jânio Quadros e Fernando Collor. O PT receia que teria mais a perder com sua proximidade.

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