O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, vai falar. Por meio de uma entrevista coletiva ou de documento/pronunciamento dizendo a que veio. Revelará o rumo e as linhas da política econômica que vai pôr em vigor. Eventualmente, também divulgará medidas econômicas. Enfim, “vai dar a real”.

Sua fala resumirá as seguintes mensagens: é possível apresentar uma solução para situação crítica da economia; em seguida virá a relação dos objetivos a serem alcançados; e finalmente quais as prioridades a serem perseguidas daqui para a frente.

O “Plano Barbosa” também terá como preocupação preparar o diálogo com o Congresso. São conhecidas suas ligações com o PT e com o ex-presidente Lula, mentor da presidente Dilma. Sem respaldo político, Barbosa irá ainda menos longe do que seu antecessor Joaquim Levy, concordam todos.

As propostas de Nelson Barbosa ficarão a meio caminho das pressões do PT para que ele adote uma série de medidas fiscais destinadas a tributar os mais ricos e os empresários e a intenção do ministro e da presidente de preparar um texto sobre os princípios da nova política econômica a ser implementada.

Representantes da base de apoio e do mercado financeiro acham positivo que o ministro revele com clareza suas ideias. Ele tomou posse às vésperas das festas de fim de ano. Não tinha nada a oferecer, obviamente, além de genéricas declarações de intenções.

Depois de passar as últimas duas semanas trabalhando com sua equipe, o ministro da Fazenda já tem um roteiro a ser seguido. Preocupado com a forte e sistemática desconfiança diante dos desconhecidos novos rumos da economia, conforme apontam os indicadores de conjuntura – principalmente câmbio, bolsa e juros -, o governo concluiu que dificilmente conseguirá dar uma nova partida na gestão econômica sem que Nelson Barbosa diga com precisão o que vai fazer, para que a partir daí se tome o pulso das reações.