1. O mercado deve iniciar a semana sob pressão, reagindo à notícia da troca do ministro da Fazenda. Embora a escolha de Nelson Barbosa para o lugar de Joaquim Levy já estivesse no radar e tenha provocado grande efeito sobre os preços na semana passada, especialistas veem ainda um potencial de deterioração. A mudança no comando da Fazenda foi recebida com muita apreensão porque soa como “guinada à esquerda” do governo de Dilma.
  2. O ex-ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, assume hoje às 17h, o Ministério da Fazenda, substituindo Joaquim Levy, que deixou o posto na sexta-feira. Barbosa passou o fim de semana reunido com sua equipe para acertar a transição. Parte do grupo que está com ele hoje no Planejamento deve ir para a Fazenda, mas quer manter no cargo o principal membro da equipe de Joaquim Levy: Marcelo Saintive, secretário do Tesouro. O governo quer mostrar que a estrutura essencial da política de gastos não será modificada.
  3. Para Nelson Barbosa, esgotou-se a capacidade do governo de cortar os gastos discricionários. Agora é hora de avançar nas despesas obrigatórias que demandam reformas estruturais e são, por definição, gradualistas. Ontem, em entrevista ao Valor, no seu gabinete no Planejamento, ele se comprometeu com a meta de superávit primário de 0,5% do PIB para 2016. Ainda não sabe como fará para cumpri-la, mas uma das medidas necessárias será a recriação da CPMF, imposto que ele espera estar cobrando no segundo semestre de 2016.