Uma semana antes de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aceitar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, pesquisa da Arko Advice na Câmara dos Deputados constatou que o relacionamento entre ela e o Legislativo havia experimentado a mais expressiva melhora do ano.

Havia caído de 66% para 51% o percentual dos parlamentares que consideravam o relacionamento entre Executivo e Legislativo ruim ou péssimo e aumentou de 47 para 62% o percentual daqueles que consideravam “pouco provável” ou “sem chance” a abertura do processo.

A pesquisa foi realizada entre os dias 24 a 26 de novembro. Foram ouvidos 100 deputados federais de 22 partidos políticos, respeitando o princípio da proporcionalidade. O levantamento é feito mensalmente, sempre na última semana do mês, com o objetivo de medir a popularidade da presidente junto aos deputados. A seguir, os resultados da pesquisa.

PRINCIPAIS RESULTADOS

  1. Caiu de 66% para 51% o percentual dos parlamentares que consideram o relacionamento entre Executivo e Legislativo ruim ou péssimo. É o segundo menor índice desde o início de 2015, quando a Arko começou a fazer o levantamento.
  2. Caiu de 37% para 30% o percentual daqueles que acreditam que o relacionamento vai melhorar nos próximos três meses e subiu de 24% para 35% aqueles que acham que vai se manter como está.
  3. A desaprovação à maneira da presidente governar caiu de 73% para 70%. É o melhor resultado desde agosto (73%).
  4. A nota média do governo, numa escalada de 0 a 10, apresentou leve ascenção de 3,35 para 3,67.
  5. O percentual dos parlamentares que classificavam a política econômica do governo como ruim ou péssima voltou a cair, de 66% para 62%. A regular passou de 29% para 31% e a ótima/boa se manteve em 4%.
  6. Os deputados ouvidos consideravam distante a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. O levantamento da Arko mostra que de setembro para novembro, aumentou de 47 para 62% o percentual de deputados que consideram pouco provável ou sem chance a abertura do processo. Também caiu de 51% para 35% os que achavam muito provável ou provável esta possibilidade.
  7. Aumentou, entre setembro e novembro, o pessimismo em relação à CPMF. Antes, 67% achavam que ela não seria aprovada na Câmara. Agora são 71%.

Avaliação

A principal constatação da pesquisa foi a melhora expressiva no relacionamento entre o governo e o Congresso Nacional. A reforma ministerial e as nomeações em cargos de segundo escalão, que foram intensificadas em novembro pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, foram os principais fatores dessa mudança.

Consequência disso, o governo conseguiu algumas vitórias parlamentares importantes, como a aprovação da mudança na meta fiscal e a confirmação de vetos da presidente.

Outro dado relevante é que houve uma queda de 15 pontos percentuais no percentual daqueles que avaliam o governo ruim ou péssimo.

O impeachment parecia um elemento distante, com aumento de 47% para 62% do percentual dos que consideravam “pouco provável” ou “sem chance” a abertura do processo. O que deixa evidente que a decisão de Eduardo Cunha pegou muita gente de surpresa.

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