O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), abriu a sessão do plenário com votação da ordem do dia. Isso invalida qualquer decisão tomada no Conselho de Ética, onde seria discutido a admissibilidade ou não da denúncia contra Cunha. A sessão foi aberta quando o painel indicava presença de 189 deputados, o que não é ilegal. Porém, em sessões deliberativas, é comum abrir a reunião com 257 deputados, que representam metade mais um dos 513 parlamentares da Casa.

Com essa manobra, o presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA), suspendeu os trabalhos e adiu para a tarde a leitura do relatório de Pinato (PRB-SP). Araújo afirmou, no entanto, que fará a leitura ainda nesta quinta-feira.
De acordo com a Agência O Globo, Manoel Júnior (PMDB-PB), um dos escudeiros de Cunha, pediu a leitura da ata da reunião anterior – uma prática que não é comum. O presidente do Conselho, no entanto, afirmou que não havia ata porque não fora feito. Manoel, por sua vez, recorreu ao plenário da Câmara.

Menos de 30 minutos depois de o conselho ter começado a funcionar, Cunha abriu a sessão no plenário. E nova discussão se seguiu. Paulinho da Força (SDD-SP) pediu o encerramento dos trabalhos, alegando que, pelo regimento, as comissões não podiam funcionar, o que foi confrontado pelo próprio Araújo, que observou que não era possível deliberar, embora nada impedisse as discussões.