Finalmente o governo obteve algumas vitórias políticas importantes, que fizeram a agenda legislativa andar algumas casas no jogo. Embora ainda faltem muitas etapas para serem conquistadas, foi um passo importante. A seguir, a semana de Jaques Wagner, Lula, Eunício de Oliveira, Cunha e Levy:

 

1Jaques Wagner – a despeito das dificuldades internas e da administração dos diversos problemas enfrentados pelo governo, o ministro da Casa Civil vem conseguindo desanuviar o clima adverso. Seu jeito afável é um trunfo importante. Wagner se desdobra entre as questões internas, políticas e econômicas. Despacha com assessores, recebe parlamentares, conversa com governadores e empresários. A aprovação do projeto da repatriação na Câmara foi a maior vitória do núcleo da articulação política do qual Wagner é o chefe. O “galego”, como é chamado pelo ex-presidente Lula, tem colecionado vitórias políticas importantes nos últimos anos. Em 2006, surpreendeu ao vencer a eleição para o governo da Bahia no primeiro turno, desbancando o ex-governador Paulo Souto (PFL), apoiado por ACM. Reelegeu-se em 2010 e em 2014 emplacou Rui Costa como sucessor. Para os próximos dias, terá outros desafios importantes a superar, como a manutenção de vetos e a mudança da meta fiscal. Ganhou moral e reafirma a fama de pé-quente.
1Lula – o ex-presidente e ministros políticos ligados a ele incrementaram a forte campanha que fazem desde a virada do semestre a favor do nome do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. É a alternativa que vislumbram a Joaquim Levy, como forma para acelerar a retomada do crescimento econômico, informou parte da mídia. A manobra esbarra na aversão da presidente Dilma Rousseff a jogo pressões como esse e no fato de que para ela seria trocar seis por meia dúzia. A verdade é que ela não tem uma carta na manga e se acolher Meirelles, a quem faz restrições, o único beneficiário seria Lula, que passaria ser percebido como o verdadeiro formulador da política econômica. Outra consequência da substituição de Levy por Meirelles seria o risco de perda do grau de investimento na segunda agência de rating, atiçando o perigo de uma escalada inflacionária. Lula difundiu a versão de um diálogo com a presidente no qual ele questiona: “E do Levy, você gosta?”, diante da desculpa dela de que não tem simpatia por Meirelles.

 

1Eunício Oliveira – o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) foi um personagem importante na semana passada.
Reuniu, e sua casa, senadores de vários partidos (52 no total), no jantar oferecido ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Mesmo tendo recebido críticas de alguns senadores, Levy enviou uma carta aos parlamentares na qual agradeceu a participação no jantar e reforçou a necessidade de fiscal e um orçamento com receitas sólidas para o país voltar a crescer. Líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira procurou afastar os rumores sobre a troca de Joaquim Levy por Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda ao afirmar “o Meirelles não é solução para nada. Não é uma questão de nomes. O Meirelles e o Levy pensam parecido. Defendem as políticas dos tucanos”. O jantar foi teste vitorioso para os planos de Eunício que se prepara para a candidatura à presidência do Senado no ano que vem. Numa dobradinha azeitada com Renan Calheiros, o senador cearense tem conseguido neutralizar as sobras da pautas-bomba que Eduardo Cunha tem jogado sobre o Planalto.

 

1Cunha – após a revelação de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), forneceu o nome da mãe como contrassenha de uma conta no banco suíço Julius Baer, líderes de 13 partidos políticos assinaram carta em seu apoio. Agora, outra revelação surge em reportagem jornal O Globo (13/11), desmontando uma das principais teses de Cunha para se livrar no processo no Conselho de Ética: a de que ele não movimentava suas contas no exterior. Documento assinado por um representante legal da trust responsável pelas contas de Cunha revela a existência de uma procuração segundo a qual ele tinha amplos poderes. Com os recursos depositados em conta no banco Merrill Lynch, podia fazer aplicações financeiras em fundos e no mercado futuro, e comprar e vender títulos, moedas e até metais preciosos. Só não podia sacar o dinheiro da conta. A informação veio a poucos dias de Fausto Pinato (PRB-SP), relator da representação contra Cunha no Conselho de Ética, apresentar seu parecer sobre a admissibilidade do processo. Nem Pinato nem o conselho terão outra alternativa. O processo avançará.

1Levy – apesar de ter atravessado uma semana sob pressão, alvo de críticas de Lula e de uma receptividade gélida de
senadores às suas propostas, Levy ganhou sobrevida. A agenda de Levy no Congresso poderá ter desdobramentos positivos nos próximos meses. Dilma entendeu que muito da fragilidade de seu ministro decorre do fato de que ela arbitrou a favor de Nelson Barbosa questões que abalaram a credibilidade fiscal do governo. Sabe, também, que o diagnóstico de Levy é correto e que, qualquer um que assuma, terá que fazer o mesmo no campo fiscal. O apoio da oposição à renovação da DRU foi um grande alento e aumentou bastante a possibilidade de ser aprovada nos próximos meses. O mesmo se dá sobre a nova meta fiscal e a manutenção dos vetos presidenciais. Dilma e o mundo político esperam que Levy construa uma narrativa que contemple o ajuste fiscal e a retomada do crescimento econômico. A substituição por Henrique Meirelles não é uma opção tranquila para a presidente. Já que Meirelles iria querer uma autonomia que Levy não tem e se reportaria diretamente à Lula, e não a ela.